Política

Governo prioriza isenção do imposto de renda e propostas populares para conter avanço da anistia

Estratégia busca ocupar a pauta da Câmara com medidas de apelo social e evitar discussões sobre anistia no Congresso

O governo federal decidiu focar em propostas populares, como a isenção do imposto de renda, para dominar a pauta da Câmara dos Deputados e evitar que a discussão sobre anistia ganhe espaço no Congresso Nacional.

Em reunião nesta segunda-feira (8), ministros ouviram da ministra Gleisi Hoffman que a prioridade é avançar em temas como PEC da segurança pública e redução do preço do gás e da conta de luz.

Disputa em torno do imposto de renda

Nas últimas semanas, o projeto de isenção do imposto de renda perdeu força no Congresso devido à resistência de parlamentares da oposição e de partidos de Centro, como o União Brasil, que não aceitam as compensações propostas no relatório do deputado Arthur Lira (PP-AL).

Durante a reunião, ministros receberam como novidade uma postagem do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que prometeu votar o projeto de lei em tramitação. “Há um entendimento da Casa que é uma prioridade para o Brasil e os brasileiros”, escreveu Motta em rede social.

Para governistas, a aprovação do projeto pode fortalecer politicamente o presidente Lula, o que preocupa partidos de Centro que apoiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como possível candidato ao Planalto.

Esses partidos têm usado a pauta como moeda de negociação com o governo, buscando vantagens em troca do apoio à proposta.

Segundo um deputado governista envolvido nas negociações, parlamentares do Centrão podem tentar “aumentar a fatura” junto ao governo, mas reconhece que “a pauta é muito forte e é difícil alguém ficar contra”.

Interlocutores de Arthur Lira avaliam que a Câmara vive um “conflito constante”, dificultando a aprovação do projeto, e destacam Hugo Motta como protagonista do momento.

Aliados de Arthur Lira afirmam que o avanço da pauta depende do momento em que Hugo Motta decidir “dar o start”, pois não há espaço para negociação direta de Lira com o colégio de líderes.

Durante a reunião, foi discutida a possibilidade de o governo editar uma medida provisória para aprovar o projeto de lei, mas essa alternativa foi rejeitada por Gleisi Hoffman, que procurou pessoalmente o presidente da Câmara para descartar a ideia.

Enquanto isso, a estratégia do governo é manter o foco em propostas de forte apelo social, como a PEC da segurança pública e medidas para reduzir o preço do gás e da conta de luz, buscando esvaziar o debate sobre anistia e fortalecer sua posição junto à opinião pública e ao Congresso.