O New York Times publicou nesta quarta-feira uma reportagem detalhando como o ex-presidente Jair Bolsonaro teria tentado dar um golpe de Estado no Brasil e fracassado. A matéria, baseada em depoimentos e documentos oficiais, examina o processo investigativo e as versões conflitantes entre acusação e defesa.
Segundo o jornal, procuradores afirmam que Bolsonaro e aliados buscaram anular a eleição de 2022. Já a defesa nega as acusações e alega perseguição política. O caso segue em destaque na imprensa internacional e no Supremo Tribunal Federal.
Investigações e depoimentos sobre o plano
A reportagem do New York Times revela que o jornal revisou “dezenas de horas de depoimentos e centenas de páginas de documentos policiais e do Ministério Público” referentes à investigação contra Jair Bolsonaro. Segundo os procuradores, Bolsonaro teria contado com aliados para executar um plano que visava anular o resultado das eleições presidenciais de outubro de 2022, após sua derrota.
Depoimentos do auxiliar Mauro Cid indicam que o plano começou logo após as eleições, com o primeiro passo sendo desacreditar as urnas eletrônicas nas redes sociais. O jornal destaca que, para os investigadores, o plano ia além de provocar revolta popular, incluindo tentativas de mobilizar militares e até planos para prender ou assassinar supostos inimigos. Um documento de 9 de novembro, elaborado na Presidência, mencionaria um suposto plano para assassinar Lula e Geraldo Alckmin usando veneno, agentes químicos ou explosivos, atribuído ao general Mário Fernandes.
Fernandes, em depoimento, afirmou que o plano foi destruído e nunca mostrado a ninguém. Outras reuniões relatadas incluíram discussões sobre a declaração de estado de emergência e pressão sobre comandantes das Forças Armadas, que teriam recusado aderir ao plano. A defesa de Bolsonaro e de seus aliados nega todas as acusações e afirma que as provas são frágeis e motivadas politicamente.
Repercussão, julgamento e consequências políticas
A cobertura do caso ganhou destaque internacional, com a imprensa mundial acompanhando o início do julgamento de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusações de tentativa de golpe. O procurador-geral da República, Gonet, apresentou sua acusação, afirmando que não punir o golpe pode reviver “ímpetos de autoritarismo” e comprometer a vida civilizada. Gonet ressaltou que não é necessária uma assinatura do presidente para configurar o crime.
Enquanto mais de 3 mil pessoas se inscreveram para acompanhar o julgamento presencialmente, a segurança do STF foi reforçada, inclusive com uso de drones. Filhos de Bolsonaro, Carlos e Jair Renan, participaram de vigília no condomínio onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar.
No Congresso, deputados da oposição se mobilizam para pressionar por anistia aos condenados por atos golpistas, mas enfrentam resistência. Flávio Bolsonaro conta com a articulação de Tarcísio de Freitas para tentar avançar a proposta. Em caso de condenação pelo STF, Bolsonaro e outros réus podem receber penas de prisão, reparação de danos e perda de cargos públicos.