No segundo dia do julgamento no Supremo Tribunal Federal, as defesas de Jair Bolsonaro e de generais acusados de tentativa de golpe de Estado questionaram as provas apresentadas e a delação de Mauro Cid.
Os advogados também criticaram a condução do ministro Alexandre de Moraes e alegaram cerceamento de defesa, pedindo absolvição dos réus.
Argumentos das defesas no julgamento
Durante a sessão, o advogado de Bolsonaro afirmou que não existe prova que relacione o ex-presidente aos ataques de 8 de janeiro e negou qualquer atentado ao Estado democrático de direito. Ele destacou que a delação de Mauro Cid é “inconfiável” e que o ex-ajudante de ordens mudou versões diversas vezes, citando relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre omissões e contradições.
O defensor ainda argumentou que não houve tempo suficiente para analisar as provas, que somam mais de 70 terabytes, e criticou a forma como foram disponibilizadas. Segundo ele, a defesa não teve acesso integral ao material, o que compromete o direito de defesa. Sobre a chamada minuta golpista, a defesa negou que Bolsonaro tenha discutido o tema com comandantes militares e afirmou que, após reunião no Alvorada, o assunto foi encerrado.
O advogado de Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, questionou a atuação de Moraes, afirmando que o juiz não pode ser protagonista do processo. Ele negou politização do GSI, pressão sobre militares e uso da agenda de Heleno como prova. A defesa também destacou o afastamento de Heleno do núcleo decisório de Bolsonaro e negou envolvimento em gabinete de crise após eventual golpe.
Já o advogado de Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, afirmou que seu cliente tentou demover Bolsonaro de medidas golpistas e não fazia parte de organização criminosa. A defesa de Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil, também pediu absolvição, alegando inocência e cerceamento de defesa devido ao grande volume de documentos.
Repercussão e bastidores do julgamento
O julgamento, que envolve oito réus, incluindo Bolsonaro e generais, ocorre em meio a debates políticos sobre anistia no Congresso e pressões sobre o Supremo Tribunal Federal. O advogado de Bolsonaro afirmou que a transição para o governo Lula foi realizada sem obstáculos, o que, segundo a defesa, contradiz a acusação de tentativa de golpe. Vilardi, defensor do ex-presidente, citou que Bolsonaro facilitou o contato entre comandantes das Forças Armadas e o novo ministro da Defesa, José Múcio.
As defesas criticaram o tempo exíguo para análise das provas e apontaram cerceamento de defesa. O advogado de Braga Netto, preso no Rio de Janeiro, destacou a dificuldade de acesso ao processo e reiterou a inocência do general, acusado de coordenar ações violentas e articular com militares. O julgamento segue com manifestações das defesas e análises do STF sobre as acusações de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e obstrução de investigação.