Política

Defesa de Bolsonaro afirma que reuniões não configuram crime e não envolvem violência

Advogados sustentam que encontros e transmissões de Bolsonaro eram preparatórios e sem ameaça grave, contestando acusações de golpe de Estado

Durante o segundo dia do julgamento da “Trama Golpista” nesta quarta-feira (3), a defesa de Bolsonaro argumentou que não há provas que o liguem aos principais atos do processo. Os advogados afirmam que reuniões e lives do ex-presidente eram apenas “atos preparatórios”, sem violência ou grave ameaça.

A defesa questiona o enquadramento das condutas de Bolsonaro nos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, alegando ausência de elementos exigidos pelo Código Penal.

Acusações e argumentos da defesa

A investigação da Polícia Federal aponta Bolsonaro como planejador, dirigente e executor dos atos que visavam um golpe de Estado. O relatório destaca que ele tinha “plena consciência e participação ativa” nas ações do grupo. A Procuradoria-Geral da República, em denúncia, afirma que o ex-presidente liderou uma organização criminosa com “atos lesivos” contra a ordem democrática e um “projeto autoritário de poder”.

Em resposta, a defesa sustenta que não há provas ligando Bolsonaro aos eventos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas, ao Plano Punhal Verde e Amarelo, que previa o assassinato de autoridades, ou à Operação Luneta, que pretendia prender ministros do STF.

Segundo os advogados, Bolsonaro apenas discutiu a minuta do golpe, sem colocá-la em prática, e tentaram desqualificar tanto a minuta quanto a delação de Mauro Cid como provas. Vilardi, advogado de Bolsonaro, afirmou que a minuta foi encontrada no celular do delator e que as alterações no texto são atribuídas a Mauro Cid. Apesar disso, comandantes do Exército e da Aeronáutica admitiram que a minuta foi discutida com o ex-presidente.

Repercussão e estratégia da defesa

O advogado Paulo Bueno, segundo a falar na sessão, reforçou a tese de que a reunião entre Bolsonaro e militares para discutir a primeira versão de um decreto — um dos rascunhos conhecidos como “minutas do golpe” — não pode ser considerada ato violento nem grave ameaça.

A defesa criticou a possibilidade de pena superior a 30 anos para o ex-presidente, centralizando sua argumentação na ausência de violência ou grave ameaça nas ações atribuídas a Bolsonaro. Para os advogados, sem esses elementos, não há como configurar os crimes de golpe de Estado ou tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, como exige o Código Penal.

Além disso, a defesa buscou enfraquecer as provas apresentadas, especialmente a colaboração premiada de Mauro Cid e a validade das minutas discutidas, alegando que não passaram de discussões sem execução prática.

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