Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, é acusado de buscar apoio das Forças Armadas a um golpe de Estado, segundo julgamento iniciado nesta terça-feira (2) no STF.
Ele é réu por crimes como organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A defesa afirma que Nogueira tentou evitar uma ruptura institucional e sugeriu discurso de Bolsonaro reconhecendo derrota.
Acusações e início do julgamento
O julgamento do chamado núcleo crucial da trama golpista teve início na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os oito réus está o general da reserva Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, que foi o único a comparecer presencialmente à abertura da sessão.
Nogueira responde pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Posição da Procuradoria-Geral da República
A PGR acusa Nogueira de apoiar a narrativa de fraude nas urnas e de instigar a intervenção das Forças Armadas. Segundo a acusação, ele teria endossado a tese de fraude em reuniões de 2022 e participado de articulações para sustentar uma ruptura democrática. Uma gravação obtida pela investigação mostra Nogueira afirmando que via as Forças Armadas e o Ministério da Defesa “na linha de contato com o inimigo” e que era preciso “intensificar a operação”.
Argumentos da defesa
A defesa de Paulo Sérgio Nogueira nega todas as acusações, alegando que ele é inocente e que, ao contrário do que aponta a PGR, atuou para conter medidas radicais propostas por Bolsonaro. Os advogados afirmam que Nogueira chegou a redigir um discurso em que o presidente reconheceria o resultado da eleição, reforçando sua postura contrária à ruptura institucional.
Durante o julgamento, os defensores destacaram que Nogueira aconselhou Bolsonaro a não assinar medidas de exceção e que teria sido alvo de tentativa de deposição por outros generais. Também negam que ele tenha integrado qualquer gabinete paralelo de crise.