O julgamento de Jair Bolsonaro no STF começou nesta terça-feira (2), com expectativa de decisão até 12 de setembro. O ex-presidente, em prisão domiciliar, acompanha de casa enquanto aliados focam em estratégias para minimizar punições e articulam anistia no Congresso. O temor de prisão em regime fechado domina os bastidores.
Estratégias e preocupações no entorno de Bolsonaro
O início do julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal mobilizou aliados e defesa do ex-presidente, que permanece em prisão domiciliar. A principal estratégia adotada é a de redução de danos, buscando diminuir eventuais penas. A defesa trabalha para que a condenação por um crime mais grave, como abolição do estado democrático, absorva a de crimes menores, como a tentativa de golpe de estado. As penas máximas podem chegar a 43 anos de prisão.
Outro ponto central da defesa é a alegação de que Bolsonaro estava nos Estados Unidos, a chamada “terra da Disney”, durante os eventos de 8 de janeiro. Essa justificativa é repetida pelo ex-presidente como parte do argumento de que não participou diretamente dos acontecimentos.
Nos bastidores, Bolsonaro se define como “um animal político”, mantendo atenção tanto no Supremo quanto no Congresso Nacional. Aliados planejam intensificar a pressão sobre Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, para viabilizar uma proposta de anistia após o julgamento. Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, já defende a anistia e utiliza falas do ministro Luís Roberto Barroso para embasar a estratégia.
O texto da anistia em discussão prevê inclusive a reversão da inelegibilidade de Bolsonaro, demonstrando o grau de empenho dos bolsonaristas em torno do tema. Apesar de depender de aprovação, a articulação política segue intensa nos bastidores do Congresso.
O maior temor do ex-presidente, porém, é a possibilidade de ser condenado a cumprir pena em regime fechado. Embora esteja em prisão domiciliar, Bolsonaro e sua defesa se preparam para solicitar a manutenção do regime domiciliar, alegando questões de saúde e a necessidade de tratamento médico adequado.
Com a definição do julgamento prevista para 12 de setembro, o clima entre os aliados é de apreensão e mobilização, tanto no campo jurídico quanto político, visando garantir alternativas caso a decisão do Supremo seja desfavorável.