Economia

Fintechs transformam o sistema financeiro brasileiro e desafiam regulação

Crescimento das empresas de tecnologia financeira impulsiona inclusão, mas expõe riscos e demanda novas regras

As fintechs revolucionaram o sistema financeiro do Brasil, tornando-se essenciais para a economia. Seu avanço acelerado trouxe inclusão e competição, mas também levantou preocupações sobre regulação e uso por organizações criminosas.

Recentemente, uma operação revelou que o PCC movimentou R$ 140 bilhões via fintechs, destacando a necessidade de maior supervisão. O setor, que emprega cerca de 100 mil pessoas, agora enfrenta o desafio de equilibrar inovação e segurança.

O crescimento das fintechs e seu impacto

As fintechs, empresas que unem tecnologia e serviços financeiros, tornaram-se parte fundamental da economia brasileira ao digitalizar processos e eliminar burocracias. Essa transformação permitiu serviços mais acessíveis e baratos, especialmente para a população antes desbancarizada. Entre 2017 e 2023, o número dessas empresas na América Latina saltou de 703 para 3.069, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No Brasil, há 1.481 fintechs, que oferecem mais de 250 milhões de contas digitais.

Segundo Diego Perez, presidente da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), 60 milhões de brasileiros acessaram serviços financeiros pela primeira vez por meio dessas plataformas. A competição com bancos tradicionais reduziu tarifas, ampliou o acesso ao crédito e facilitou operações diretamente pelo celular.

Concorrência e reação dos bancos

O ambiente bancário brasileiro, antes dominado por cinco grandes bancos, viu as fintechs conquistarem espaço em crédito, pagamentos, investimentos e seguros. O Nubank, por exemplo, já é o terceiro maior em número de clientes, com lucro líquido de R$ 3,6 bilhões no segundo trimestre deste ano. Os grandes bancos reagiram reforçando áreas estratégicas e investindo em digitalização, mantendo retornos elevados.

Desafios regulatórios e segurança

O rápido avanço das fintechs também abriu brechas para crimes financeiros, como mostrou a recente operação que expôs o uso dessas empresas pelo PCC. A discussão sobre regulação ganhou força, especialmente após fake news atrasarem projetos que visavam monitorar movimentações financeiras.

O ministro Fernando Haddad afirmou que fintechs deverão seguir as mesmas regras de transparência dos grandes bancos, sendo supervisionadas pelo Banco Central ou pela CVM, conforme suas atividades. Elas precisam cumprir normas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, comunicando operações suspeitas ao COAF.

O setor recebeu positivamente a equiparação regulatória, vista como um passo importante para corrigir distorções. No entanto, especialistas alertam para o risco de uma regulação excessiva, que pode sufocar a inovação e dificultar a entrada de novos players. O equilíbrio entre segurança e inovação depende de normas proporcionais ao risco e diálogo constante com reguladores.

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