A CPMI do INSS aprovou nesta quarta-feira pedido de prisão preventiva de investigados em esquema de desvio bilionário de aposentadorias, alvo da operação Sem Desconto da Polícia Federal e CGU.
O requerimento, apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL), foi aprovado por unanimidade, com 26 votos a favor, durante sessão marcada por protestos da base e discussões entre parlamentares.
Detalhes da decisão
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS aprovou o pedido de prisão preventiva dos investigados e citados na operação Sem Desconto, realizada em abril pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União. O pedido, encaminhado à Polícia Federal, depende ainda de autorização judicial para ser efetivado.
O relator Alfredo Gaspar justificou a medida afirmando que, até o momento, nenhum dos envolvidos havia tido prisão solicitada, apesar dos “evidentes riscos à ordem pública, à conveniência da instrução criminal e à garantia de aplicação da lei penal”.
A votação foi nominal, com 26 votos favoráveis e nenhum contrário, refletindo consenso entre os membros presentes.
Protestos e polêmica
Durante a sessão, realizada enquanto o advogado Eli Cohen prestava depoimento, houve protestos da base do governo. Os parlamentares criticaram o fato de o relator não ter incluído Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, ex-ministro da Previdência e ex-presidente do INSS, entre os nomes citados para prisão preventiva.
O presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), interrompeu a oitiva e antecipou a votação após apenas dois parlamentares questionarem o depoente, o que gerou reclamações sobre o procedimento adotado.
Clima tenso e discussões
Após a aprovação do pedido de prisão preventiva, o clima esquentou entre parlamentares. A deputada Coronel Fernanda (PL-MT) e a senadora Leila Barros (PDT-DF) protagonizaram um bate-boca após a deputada comemorar efusivamente o resultado, enquanto a senadora destacou que a base também havia votado a favor.
O episódio resultou em troca de acusações e elevação dos ânimos, exigindo a intervenção de outros membros da comissão para acalmar a situação.
A sessão ficou marcada não apenas pelo avanço das investigações, mas também pela tensão política e divergências quanto à condução dos trabalhos e à abrangência dos nomes incluídos no pedido de prisão.