Os brasileiros atingiram em julho o maior nível de despesas no exterior em onze anos, segundo o Banco Central. O valor somou US$ 2,34 bilhões, superando registros desde setembro de 2014. O aumento reflete a retomada das viagens internacionais, queda do dólar e mudanças no IOF.
No acumulado de janeiro a julho, os gastos chegaram a US$ 12,5 bilhões, também o maior desde 2014. A alta ocorre mesmo diante do aumento do IOF sobre câmbio, que encareceu a moeda estrangeira.
Expansão dos gastos e fatores econômicos
Em julho, as despesas de brasileiros no exterior alcançaram US$ 2,34 bilhões, maior patamar desde setembro de 2014, quando chegaram a US$ 2,37 bilhões. Para meses de julho, o valor só foi superado em 2014, com US$ 2,41 bilhões. No acumulado do ano até julho, o total de gastos atingiu US$ 12,5 bilhões, também recorde desde 2014, quando somaram US$ 14,9 bilhões.
Especialistas atribuem esse crescimento à flexibilização das restrições de viagem pós-pandemia, à melhora da economia doméstica e à queda do dólar, que fechou a R$ 5,48 em 24 de julho, acumulando baixa de 11,3% no ano. Apesar do aumento do IOF, que subiu de 1,1% para 3,5% para compra de moeda em espécie e remessas ao exterior, a busca por viagens internacionais se manteve elevada.
Impactos do IOF e do dólar
O IOF mais alto, vigente até 27 de junho e retomado em 16 de julho, encareceu as operações cambiais, mas a valorização do real compensou parte desse efeito. O cartão de crédito, que já tinha IOF de 3,38%, também passou para 3,5%.
Influência da atividade econômica
O nível de atividade econômica, mesmo com juros básicos em 15% ao ano, contribuiu para o aumento das despesas internacionais, segundo analistas.
Repercussões nas contas externas e investimentos
No acumulado de janeiro a julho, o déficit das contas externas brasileiras subiu 76,4%, atingindo US$ 40,1 bilhões. Em julho, o saldo negativo foi de US$ 7,1 bilhões, ante US$ 5,2 bilhões no mesmo mês do ano anterior. O resultado das transações correntes, que inclui balança comercial, serviços e rendas, foi impactado pelo menor superávit comercial: US$ 32,3 bilhões até julho, contra US$ 44,2 bilhões em 2023.
O Banco Central explica que o aumento do déficit está ligado ao crescimento da economia, que gera maior demanda por produtos e serviços externos. Em 2025, a previsão do BC é de déficit em conta corrente de US$ 58 bilhões.
Investimentos estrangeiros diretos
Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil recuaram 6,4% de janeiro a julho, somando US$ 42,1 bilhões. Apesar da queda, o valor foi suficiente para cobrir o déficit externo no período. Em julho, o ingresso foi de US$ 8,3 bilhões, superando os US$ 7,2 bilhões de 2024. No ano passado, esses investimentos totalizaram US$ 71,1 bilhões, e a previsão para 2025 é de US$ 70 bilhões.