Os brasileiros gastaram US$ 6,04 bilhões no exterior no primeiro trimestre de 2026 — o maior volume já registrado para o período, segundo o Banco Central. A queda acumulada de 8,85% do dólar no ano tornou as viagens internacionais mais acessíveis e impulsionou o consumo lá fora.
Só em março, as despesas somaram US$ 1,99 bilhão, um recorde histórico para o mês. O dólar fechou a semana cotado a R$ 5, mas acumula perda expressiva ao longo de 2026.
Dólar mais fraco, passaporte mais barato
A trajetória de queda do dólar ao longo de 2026 mudou o cálculo financeiro de muitos brasileiros. Com a moeda americana recuando 8,85% no ano, os custos com hospedagem, transporte e compras no exterior ficaram significativamente mais baixos em reais.
O dólar já havia rompido a barreira dos R$ 5 pela primeira vez em dois anos no início de abril, movimento que tornou as viagens ao exterior progressivamente mais baratas para o consumidor brasileiro.
O pano de fundo é geopolítico. A guerra no Oriente Médio alterou o fluxo de divisas globais: a escalada do conflito em março, que empurrou o petróleo acima de US$ 110 e fechou temporariamente o Estreito de Ormuz, foi justamente o gatilho que desencadeou a valorização do real frente ao dólar — beneficiando o Brasil como exportador do produto.
Com o barril valorizado, as exportações brasileiras de petróleo geram mais divisas, o que pressiona o real para cima e enfraquece o dólar internamente. O mercado passou a enxergar o Brasil em posição mais confortável do que outras economias diante do conflito.
Déficit externo recua mesmo com consumo crescendo lá fora
Apesar do recorde de gastos no exterior, o déficit das contas externas brasileiras encolheu no período. O saldo negativo em transações correntes foi de US$ 20,27 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — redução de 10,76% frente ao rombo de US$ 22,71 bilhões registrado no mesmo intervalo do ano anterior.
O Banco Central explica que o tamanho do rombo externo costuma seguir o ritmo da economia: quando o país cresce, aumenta a demanda por produtos e serviços estrangeiros, ampliando o déficit. Com a desaceleração em curso, o resultado tende a melhorar.
Os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 21,03 bilhões entre janeiro e março de 2026 — queda frente aos US$ 23,04 bilhões do mesmo período de 2025. Ainda assim, o volume foi suficiente para cobrir o déficit em transações correntes, mantendo o equilíbrio das contas externas.
O crescimento econômico brasileiro, mesmo em desaceleração, segue como um dos fatores que sustentam tanto o consumo no exterior quanto o interesse de investidores estrangeiros no país.
