Economia

Brasileiros batem recorde de gastos no exterior em junho apesar de IOF mais alto

Despesas atingem maior valor para junho em 11 anos mesmo com aumento do imposto sobre operações financeiras e dólar em queda

Os brasileiros gastaram US$ 1,83 bilhão no exterior em junho de 2025, o maior valor para o mês desde 2014, conforme dados do Banco Central. O resultado ocorre apesar do aumento do IOF sobre câmbio, que encareceu as operações. O acumulado do semestre chegou a US$ 10,17 bilhões, também recorde desde 2014.

Alta dos gastos e impacto do IOF

O crescimento dos gastos de brasileiros no exterior surpreende, pois ocorreu mesmo com a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que aumentou de 1,1% para 3,5% para compra de moeda estrangeira em espécie e remessas para contas no exterior. A medida, anunciada em maio, vigorou até 27 de junho, foi derrubada pelo Congresso e retomada em 16 de julho por decisão do Supremo Tribunal Federal. O IOF para cartão de crédito também subiu para 3,5%.

Apesar do encarecimento das operações, a disposição dos brasileiros em viajar e consumir fora do país se manteve alta. Analistas apontam que a recuperação econômica e a maior confiança dos consumidores impulsionaram esse movimento.

Dólar em queda e atividade econômica

A valorização do real frente ao dólar amenizou parte do impacto do IOF. Em 24 de junho, o dólar fechou cotado a R$ 5,5198, acumulando queda de 10,68% no ano. Mesmo com a alta da taxa básica de juros para 15% ao ano, a economia brasileira segue crescendo, o que também contribui para o aumento das despesas no exterior.

Contas externas e investimentos

No primeiro semestre, o déficit das contas externas avançou 87%, atingindo US$ 32,8 bilhões, segundo o Banco Central. O saldo negativo em junho foi de US$ 5,13 bilhões, frente a US$ 3,36 bilhões no mesmo mês de 2024. O resultado é influenciado pelo desempenho da balança comercial, que teve superávit de US$ 26 bilhões, menor que os US$ 37,2 bilhões do ano anterior.

O BC explica que o crescimento econômico eleva a demanda por produtos e serviços estrangeiros, ampliando o déficit. Para 2025, a estimativa é de um rombo de US$ 58 bilhões nas contas externas.

Investimento estrangeiro direto

Os investimentos estrangeiros diretos caíram 11% no semestre, somando US$ 33,75 bilhões. Apesar da queda, foram suficientes para cobrir o déficit externo. Em junho, os aportes foram de US$ 2,81 bilhões, abaixo dos US$ 6,27 bilhões de 2024. A previsão para 2025 é de US$ 70 bilhões em investimentos estrangeiros diretos.

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