As contas públicas brasileiras registraram déficit de R$ 66,6 bilhões em julho de 2025, segundo o Tesouro Nacional. A dívida pública bruta subiu para 77,6% do PIB, refletindo aumento dos gastos e queda na arrecadação. O resultado representa o pior julho desde 2020 e preocupa especialistas e agências de risco.
Déficit e dívida em alta
O déficit de R$ 66,6 bilhões nas contas do setor público consolidado em julho de 2025 foi divulgado pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central nesta sexta-feira (29). O resultado negativo foi influenciado pelo aumento das despesas com juros, pagamento de precatórios (R$ 35,6 bilhões) e queda na receita tributária. O déficit primário, que não inclui o pagamento de juros, abrange governo federal, estados, municípios e empresas estatais.
Segundo o BC, o saldo negativo é superior ao registrado em julho de 2024 (R$ 21,3 bilhões) e é o pior resultado para o mês desde 2020, quando o déficit foi de R$ 81,1 bilhões. O governo federal teve saldo negativo de R$ 56,4 bilhões, estados e municípios de R$ 8,1 bilhões e empresas estatais de R$ 2,05 bilhões.
A dívida pública bruta avançou para 77,6% do PIB, equivalente a R$ 9,6 trilhões, um aumento de um ponto percentual em relação ao mês anterior. No acumulado do governo Lula, a dívida subiu quase 6 pontos percentuais. Pelo critério do FMI, a dívida já chega a 89,9% do PIB.
Perspectivas e impacto fiscal
No acumulado dos sete primeiros meses de 2025, o déficit primário foi de R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB), melhor que o mesmo período de 2024 (R$ 64,7 bilhões). O governo federal, porém, ainda acumula déficit de R$ 68,8 bilhões no ano. A meta fiscal para 2025 é zerar o rombo, mas o arcabouço fiscal permite déficit de até 0,25% do PIB (cerca de R$ 31 bilhões), excluindo R$ 44,1 bilhões em precatórios.
Ao incluir os juros, o déficit nominal em julho foi de R$ 175,6 bilhões. Em doze meses, o resultado negativo chega a R$ 968,5 bilhões (7,86% do PIB), com despesas com juros nominais somando R$ 941,2 bilhões (7,64% do PIB). Esses números são acompanhados de perto por agências de classificação de risco e investidores.
Para conter o crescimento da dívida, o governo aprovou o “arcabouço fiscal” em 2023, limitando o aumento de gastos a 70% do crescimento da arrecadação e a 2,5% ao ano em termos reais. Especialistas, porém, avaliam que sem cortes robustos de despesas, as regras podem se tornar insustentáveis, o que pode elevar ainda mais a dívida e as taxas de juros.
Projeções do mercado indicam que a dívida pode chegar a 93,5% do PIB em 2034 (conceito brasileiro) e superar 100% do PIB em 2035 pelo critério do FMI, aproximando o Brasil da realidade de países europeus.