Economia

Crise da Evergrande impacta setor imobiliário chinês e preocupa mercados globais

Colapso da gigante chinesa afeta economia do país e gera temores de instabilidade internacional

A Evergrande, uma das maiores incorporadoras imobiliárias da China, enfrenta uma crise de endividamento que ameaça o setor imobiliário chinês e pode gerar impactos globais. A empresa foi retirada da bolsa de Hong Kong em 25/08, após anos de dificuldades financeiras e queda de valor de mercado. O governo chinês adota medidas para conter os efeitos, mas especialistas alertam para reflexos duradouros na economia mundial.

Entenda a crise da Evergrande

Fundada em 1996, a Evergrande cresceu rapidamente, tornando-se uma das maiores do setor imobiliário na China, com projetos em 280 cidades e uma dívida que chegou a US$ 300 bilhões. O colapso começou em 2020, quando o governo chinês impôs limites ao endividamento das incorporadoras, forçando a empresa a vender propriedades com descontos e a dar calotes em dívidas externas. Em agosto de 2023, a Evergrande pediu falência em Nova York e, após disputas judiciais, o Tribunal Superior de Hong Kong ordenou sua liquidação em janeiro de 2024.

O impacto se espalhou: o setor imobiliário representa quase um terço da economia chinesa, sendo fonte de renda para governos locais. Com a crise, houve demissões em massa, cortes salariais e queda de até 30% nos preços dos imóveis, afetando famílias que investem suas economias em propriedades. O governo chinês anunciou iniciativas para estabilizar o mercado, como apoio financeiro a novos compradores e incentivos ao consumo, mas evitou resgatar diretamente as construtoras.

Reflexos globais e projeções

O colapso da Evergrande preocupa investidores internacionais devido à interconexão dos mercados financeiros. Segundo o Goldman Sachs, os preços dos imóveis na China devem continuar caindo até 2027. Analistas apontam que a crise imobiliária é o principal entrave ao crescimento econômico chinês, que desacelerou para cerca de 5% ao ano. O presidente Xi Jinping prioriza agora setores de alta tecnologia, como energia renovável e carros elétricos, indicando uma transição econômica.

Desdobramentos e cenário futuro

A exclusão da Evergrande da bolsa de Hong Kong é considerada simbólica, marcando o fim de uma era no setor imobiliário chinês. O fundador Hui Ka Yan, que já figurou entre os mais ricos da Ásia, viu sua fortuna despencar de US$ 45 bilhões em 2017 para menos de US$ 1 bilhão, sendo banido do mercado de capitais após problemas contábeis. Advogados tentam recuperar ativos para credores, enquanto a próxima audiência de liquidação está prevista para setembro.

Outras incorporadoras chinesas também enfrentam dificuldades: a China South City Holdings recebeu ordem de liquidação em Hong Kong, e a Country Garden tenta negociar US$ 14 bilhões em dívida externa. Especialistas como Wang e Garcia-Herrero divergem sobre a recuperação: alguns veem sinais de estabilização, mas outros alertam que não há “luz real no fim do túnel”. O governo chinês mantém a posição de não resgatar o setor, buscando evitar riscos sistêmicos.

A crise da Evergrande ilustra os desafios da transição econômica da China, que enfrenta ainda questões como guerra tarifária, alta dívida pública, desemprego e envelhecimento populacional. O desfecho do caso pode redefinir o papel do setor imobiliário no crescimento chinês e influenciar mercados globais nos próximos anos.