O fundador da Evergrande, Xu Jiayin, confessou culpa nesta terça-feira (14) por fraude, suborno e crimes financeiros perante o Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen, em Guangdong. A audiência durou dois dias e encerra um ciclo judicial aberto com a prisão do empresário em 2023.
O veredicto ainda não foi proferido.
Segundo o tribunal, as acusações contra Xu são amplas: captação fraudulenta de fundos, apropriação indevida de recursos do público, concessão irregular de empréstimos, emissão fraudulenta de valores mobiliários, divulgação irregular de informações relevantes, desvio de verbas e corrupção.
A Evergrande foi, por décadas, símbolo do boom imobiliário chinês — impulsionada pelo processo acelerado de urbanização e pela ascensão de uma classe média com maior capacidade de consumo. No auge, era a maior incorporadora do país.
O colapso veio em 2021, quando o peso de uma dívida elevada tornou a empresa insustentável. O caso expôs fragilidades estruturais do setor imobiliário na China e reverberou nos mercados globais.
Prisão e julgamento
Xu Jiayin foi detido pela polícia em 2023. Na ocasião, a própria Evergrande informou que o fundador havia sido submetido a medidas restritivas por suspeita de crimes — comunicado feito formalmente pela companhia.
O julgamento ocorreu nos dias 13 e 14 de abril. De acordo com o comunicado oficial do tribunal, Xu se declarou culpado e manifestou arrependimento durante a sessão. O veredicto será anunciado em data posterior.
A trajetória da Evergrande reflete as contradições do mercado imobiliário chinês: crescimento acelerado alimentado por décadas de urbanização intensa e, ao mesmo tempo, acúmulo de riscos que culminaram em um dos maiores colapsos corporativos do setor na história recente do país.
