Meio ambiente

Kongjian Yu defende restauração de planeta esponja e alerta para crise hídrica até 2050

Arquiteto chinês morto em acidente no MS destacou urgência de ação climática e conceito de cidade esponja em entrevista ao g1

O arquiteto chinês Kongjian Yu, morto em acidente aéreo no Mato Grosso do Sul, defendeu ação imediata contra a crise climática em entrevista ao g1. Ele destacou que o maior desafio até 2050 será a escassez de água e propôs o conceito de cidade-esponja para enfrentar enchentes e secas. Sua abordagem já foi aplicada na China e em outros países.

Hora de ação imediata

Em respostas objetivas, Kongjian Yu afirmou que ainda é possível reverter as mudanças climáticas, mas apenas com ação imediata. Seu otimismo, segundo ele, era de apenas 4 em uma escala de 0 a 10. Para Yu, a escassez de água será o principal desafio global até 2050. Ele fez um apelo direto: “Cada vez mais pessoas estão se conscientizando e a crise já está sendo sentida. Mude a ação climática de centrada no carbono para impulsionada pela água, restaure um planeta esponja”.

Cidade-esponja

Fundador do escritório Turenscape, Yu projetou centenas de parques e espaços públicos em vários países. Seu conceito de cidade-esponja tornou-se referência internacional para metrópoles que buscam conviver melhor com a água. O modelo inclui parques alagáveis, telhados verdes e calçamentos permeáveis, estratégias que retêm água da chuva, reduzem enchentes e garantem reservas para estiagens.

A ideia ganhou força após as chuvas intensas de 2012 em Pequim, quando quase 80 pessoas morreram. Enquanto a capital chinesa sofria com enchentes, a Cidade Proibida permaneceu seca graças a seu sistema de drenagem ancestral, reforçando a crítica de Yu à dependência de concreto e infraestrutura artificial nas cidades modernas.

Como funcionam as cidades-esponja

O modelo de cidade-esponja propõe transformar a infraestrutura urbana com soluções naturais. Entre as principais medidas estão:

Parques alagáveis

Áreas verdes projetadas para serem inundadas durante cheias e servirem de lazer no período seco, com passarelas elevadas e vegetação nativa.

Telhados verdes

Jardins em topos de prédios que reduzem o volume de água nos bueiros, refrescam as cidades e filtram o ar, embora exijam reforço estrutural dos edifícios.

Calçamentos permeáveis

Pisos porosos que permitem infiltração da água da chuva, como os utilizados em Copenhague e cidades chinesas.

Praças-piscina

Espaços de lazer que se tornam reservatórios temporários em tempestades, como a praça Benthemplein em Roterdã, capaz de armazenar milhões de litros de água.

Exemplos pelo mundo

A China lidera a implementação, com cidades como Taizhou e Jinhua substituindo muros de concreto por parques para conter enchentes. O parque Yanweizhou, em Jinhua, tornou-se referência global. Roterdã, Copenhague, Nova York e Bangcoc também adotaram soluções similares, mostrando que o conceito se espalha globalmente.