A safra de laranja atinge seu auge em uma fazenda do interior de São Paulo, onde cerca de 600 mil árvores apresentam frutos de alta qualidade. O clima seco e chuvas bem distribuídas ao longo do período favoreceram o crescimento das frutas, elevando a expectativa de colheita para até 800 toneladas em 2024.
Produtores locais, como Augusto Blanco e João Belarmino, destacam o otimismo com uma safra até 35% maior que a anterior, apesar de desafios como doenças e preços em queda.
Desempenho da safra e fatores climáticos
O clima seco predominante no interior de São Paulo permitiu que os laranjais florescessem livremente, resultando em frutos de qualidade superior. Segundo Augusto Blanco, produtor local, a distribuição das chuvas é fundamental para o sucesso da colheita: “Cair tudo de uma vez só estraga a florada. Esse ano atrasou um pouco porque a primeira florada caiu por conta do calor, mas a segunda vingou bem”.
Na fazenda de Blanco, a expectativa é colher entre 700 e 800 toneladas, superando em mais do que o dobro a safra anterior, que ficou abaixo da metade desse volume. A diversidade de variedades cultivadas — quatro precoces, uma intermediária e duas tardias — permite que a colheita se estenda de maio até fevereiro ou março do ano seguinte.
Recuperação após seca
O produtor João Belarmino relata que a seca do ano passado reduziu drasticamente a produção, deixando os pomares com poucas frutas. “Agora, as chuvas no fim de 2024 ajudaram a garantir uma segunda florada. Por isso, vemos árvores carregadas e uma safra até 35% maior que a anterior, o que anima os produtores, mesmo com o preço da caixa mais baixo”, afirma Belarmino.
Desafios e perspectivas para o setor
Apesar do cenário otimista, os produtores ainda enfrentam obstáculos significativos. Doenças como o greening continuam afetando os pés de laranja, impactando a produtividade e os preços no mercado. Mesmo com a previsão de um mercado firme nos próximos anos, a renovação dos pomares e a consolidação de novas plantações demandam tempo e investimentos.
O otimismo dos produtores é sustentado pelo aumento da produção e pela qualidade dos frutos, mas a preocupação com doenças e oscilações de preços permanece. O setor segue atento às condições climáticas e ao manejo das lavouras para garantir a sustentabilidade das próximas safras.