Economia

Tarifa dos EUA sobre suco de laranja brasileiro aumenta incerteza no setor

Setor brasileiro teme queda nas exportações após tarifa de 50 mesmo com dependência dos EUA do produto nacional

O setor de suco de laranja brasileiro enfrenta incertezas após a imposição de uma tarifa de 50 pelos Estados Unidos, principal mercado consumidor. A medida pode afetar exportações e a economia do setor, apesar da forte dependência americana do produto brasileiro. O anúncio da tarifa ocorre em meio à pior colheita de laranja nos EUA em 40 anos e à recuperação da produção no Brasil.

Impacto da tarifa e dependência dos EUA

A imposição da tarifa pelo governo dos Estados Unidos trouxe instabilidade ao setor brasileiro de suco de laranja. Mesmo sendo o maior consumidor mundial, os EUA podem buscar alternativas ao produto nacional devido ao aumento de preço, tornando o suco brasileiro substituível. Segundo o diretor da CitrusBR, os consumidores americanos podem trocar o suco por outras bebidas, reduzindo ainda mais a demanda pelo produto brasileiro.

O mercado americano depende fortemente da produção do Brasil, já que lavouras nos EUA foram dizimadas por greening, furacões e frio intenso. A nova tarifa, porém, pode incentivar a busca por outros fornecedores, como o México, segundo o Itaú BBA.

Pior colheita em décadas nos EUA

Os EUA enfrentam a pior colheita de laranja desde 1986, com queda de 28% na produção para a safra 2024/2025. O estado da Flórida, responsável por 90% do suco americano, foi o mais afetado. O preço da lata de 473 ml atingiu US$ 4,49 (R$ 24,84) em fevereiro, refletindo a escassez. O greening, causado por bactéria transmitida por inseto, prejudicou a qualidade e produtividade das frutas.

Recuperação e desafios da produção brasileira

Apesar dos desafios, a safra brasileira de laranja 2025/2026 deve crescer 8%, com melhora no clima e menor avanço do greening. O Brasil responderá por cerca de 70% da produção mundial de suco neste ano, recuperando parte dos estoques, que estão nos menores níveis em 40 anos, segundo o Itaú BBA.

O declínio nas safras anteriores forçou o uso de frutas de menor qualidade no processamento. Agora, com a reposição dos estoques e sem o mercado americano, o setor teme não conseguir escoar toda a produção. “É muito ruim. É um efeito que vem para toda a cadeia. Pega as indústrias, pega o produtor, pega todo mundo. Ninguém está a salvo dos efeitos disto”, afirma Netto.