Em 3 de agosto, Jair Bolsonaro orientou o deputado federal Capitão Alden (PL-BA) a realizar uma ligação de vídeo durante manifestação em Salvador.
Na época, o ex-presidente estava proibido de usar redes sociais por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Segundo a Polícia Federal, o episódio revela estratégia para burlar a medida cautelar imposta pelo Supremo.
Conversas e estratégia para contornar restrições
Uma investigação da Polícia Federal revelou trocas de mensagens no WhatsApp entre Bolsonaro e o deputado Capitão Alden (PL-BA) sobre a manifestação de apoiadores em Salvador, em 3 de agosto. Alden, prestes a discursar no evento, questionou se poderia receber um áudio do ex-presidente para ser reproduzido no carro de som. Bolsonaro respondeu que, se falasse qualquer coisa, haveria problemas, mas sugeriu: “Você pode ligar para mim na imagem falando: ‘Estou aqui com a imagem do Bolsonaro, está mandando abraço a todos vocês e parabenizando’. Aí você pode. Você fala. Eu não posso falar, não. Valeu”, conforme registrado pela PF.
Após a orientação, Alden perguntou se poderia ligar em cinco minutos e recebeu resposta positiva. A ligação foi realizada às 12h10min e durou 14 segundos, segundo o relatório policial. Posteriormente, Bolsonaro enviou um vídeo para Alden repassar aos manifestantes.
No vídeo, Bolsonaro cumprimenta os apoiadores, manda abraços e deseja bom dia, mas enfatiza que não pode falar.
Repercussão e análise da Polícia Federal
O vídeo enviado por Bolsonaro foi publicado por Alden em sua conta na plataforma X. Para os investigadores, mesmo demonstrando cautela para não descumprir as proibições judiciais, Bolsonaro orientou o deputado sobre como expor sua imagem ao público, evidenciando um “modus operandi de utilização de terceiros para burlar a medida cautelar” imposta pelo STF.
A Polícia Federal destacou que o episódio reforça a estratégia do ex-presidente de utilizar aliados para manter contato com apoiadores, apesar das restrições determinadas pela Justiça.