Negócios

Embraer contesta investigação dos EUA e diz que tarifas prejudicam interesses americanos

Empresa brasileira envia carta ao governo dos EUA defendendo parceria e destacando impacto econômico positivo no país

Embraer enviou nesta segunda-feira (18) uma carta ao governo dos Estados Unidos em resposta à investigação americana sobre práticas comerciais desleais. O documento, assinado pelo presidente Francisco Gomes Neto, argumenta que impor tarifas à empresa vai contra os interesses americanos.

A fabricante, que já enfrenta uma tarifa de 10% e busca tarifa zero, afirma que as restrições não têm relação com suas operações e destaca a importância econômica e de empregos gerados nos EUA.

Embraer rebate investigação e defende impacto positivo nos EUA

Na carta enviada ao governo dos Estados Unidos, a Embraer reagiu à investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), iniciada a pedido do então presidente Donald Trump, sob alegação de práticas comerciais desleais por parte do Brasil. Embora não seja alvo direto da investigação, a empresa se antecipou para defender sua atuação e a parceria comercial com o país norte-americano.

No documento, a Embraer destacou que, apesar de sediada no Brasil, mantém operações relevantes nos Estados Unidos, incluindo a subsidiária EAH, fundada em 1979 na Flórida, que produz jatos executivos e presta serviços de aviação. A empresa argumentou que as tarifas impostas seriam “contrárias aos interesses dos EUA”, já que nenhum dos atos investigados pela Seção 301 está relacionado à Embraer ou seus negócios.

A Embraer ressaltou que o comércio de aeronaves civis não se beneficia de tarifas preferenciais injustas, pois o Brasil adota tarifa zero para esses produtos com todos os parceiros. A companhia também afirmou que suas ações nos EUA e no Brasil não têm relação com as alegações investigadas.

Empregos, investimentos e presença nos Estados Unidos

Segundo a Embraer, a empresa e suas afiliadas geram cerca de 12,5 mil empregos nos EUA – 2,5 mil diretos e 10 mil indiretos – e projetam a criação de mais 5 mil postos de trabalho até 2030. A companhia também afirmou que, em um cenário de tarifa zero, os Estados Unidos teriam um superávit de US$ 8 bilhões entre 2025 e 2030, com compras da Embraer impulsionando exportações americanas.

A Embraer possui 17 instalações nos EUA, incluindo unidades de produção na Flórida e centros de serviço em Arizona, Geórgia, Tennessee e Texas. A empresa destacou ainda que 88% de seus acionistas estão sediados nos EUA e 44% das ações são negociadas na Bolsa de Nova York.

Além disso, a produção de jatos executivos em Melbourne, Flórida, gera mais de US$ 600 milhões em exportações anuais para os EUA, com presença tributável em 32 estados. A frota da Embraer transporta 100 milhões de passageiros por ano no país, representando cerca de 10% do tráfego aéreo americano, e mais de 2 mil aeronaves da empresa operam para companhias como American, Delta, United e Alaska Airlines.

No documento, a Embraer também ressaltou seu apoio à defesa nacional dos EUA, com potencial de ampliar investimentos caso o cargueiro KC-390 seja selecionado pela Força Aérea Americana. A empresa finalizou pedindo ao governo que reconheça seus benefícios econômicos e evite tarifas ou restrições que prejudiquem essa relação.

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