Donald Trump e Vladimir Putin se encontraram nesta sexta-feira (15) no Alasca para discutir a guerra na Ucrânia, mas não chegaram a um acordo. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, não participou da reunião. O encontro gerou expectativas de cessar-fogo, mas terminou sem anúncio concreto.
Detalhes do encontro e bastidores
A reunião entre Trump e Putin ocorreu sob grande expectativa internacional, com a possibilidade de um cessar-fogo no conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado há mais de três anos. Apesar disso, ambos os líderes fizeram discursos vagos após o encontro, sem revelar detalhes do diálogo. Putin, que quebrou o protocolo ao falar primeiro, elogiou Trump e afirmou que, caso o republicano estivesse no poder em 2022, a guerra não teria ocorrido. Ele também declarou esperar que Zelensky não seja um obstáculo para a paz.
Trump, por sua vez, afirmou que ainda não há acordo e que o próximo passo será contatar Zelensky e membros da OTAN. Segundo ele, houve “grande progresso”, mas faltam detalhes a serem definidos. Trump sugeriu um novo encontro em breve, enquanto Putin brincou sobre realizar a próxima reunião em Moscou.
Composição das delegações
Do lado americano, participaram o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff, empresário e amigo pessoal de Trump. Witkoff, sem experiência diplomática prévia, foi nomeado durante o segundo mandato de Trump e já atuou em missões no Oriente Médio e negociações de paz com a Rússia. Do lado russo, estavam o chanceler Sergei Lavrov e Yuri Ushakov, conselheiro próximo de Putin e ex-embaixador em Washington.
Antes do encontro, Putin fez escala em Magadan, na Rússia, visitando uma fábrica, um complexo esportivo e um memorial à cooperação entre americanos e soviéticos na Segunda Guerra Mundial. Na véspera, Lavrov chegou a Anchorage vestindo um casaco com as letras “CCCP”.
Repercussão e próximos passos
A ausência de Zelensky foi sentida. O presidente ucraniano afirmou em rede social esperar que a reunião abrisse caminho para negociações substanciais, mas depois denunciou ataques russos no mesmo dia: “Os ataques continuam e não há nenhum sinal de que Moscou esteja se preparando para encerrar a guerra. No dia de negociações, eles também matam pessoas. Isso diz muito”, declarou, pedindo uma posição firme dos EUA.
Trump saiu de Washington atrasado, declarando que buscava um cessar-fogo e que o destino dos territórios ocupados pela Rússia cabe à Ucrânia decidir. Durante o voo, relatou ter conversado por telefone com Aleksander Lukashenko, presidente de Belarus e aliado de Putin.
O encontro no Alasca já é visto como vitória simbólica para Putin, que volta a ter interlocução direta com o presidente americano. Imagens do evento mostram Putin, acusado de crimes de guerra, diante de um Trump sorridente, marcando o fim do isolamento russo desde 2022 e sinalizando um novo capítulo geopolítico.
Durante a chegada, Trump aguardou no Air Force One pela chegada de Putin, que pousou meia hora depois. Ambos embarcaram juntos no carro presidencial americano, sem intérpretes, aumentando o mistério sobre os temas tratados fora dos registros oficiais. Após a reunião, Putin retornou a Moscou sem anúncios concretos.