Volodymyr Zelensky declarou neste domingo (17) que aceita iniciar negociações de paz “onde a linha de frente está agora”, mas rejeita ceder territórios à Rússia.
A declaração ocorre antes de encontro com Trump na Casa Branca, marcado para segunda-feira, e representa mudança em relação à exigência anterior de retirada total das tropas russas.
O tema central das negociações segue sendo as regiões ucranianas ocupadas, que correspondem a cerca de 20% do território do país.
Negociações e posições dos líderes
Em entrevista coletiva em Bruxelas ao lado de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, Zelensky afirmou: “Precisamos de negociações reais, o que significa que elas podem começar de onde a linha de frente está agora. A linha de contato é a melhor linha para conversar […] A Rússia continua sem sucesso na região de Donetsk. Putin não conseguiu tomá-la em 12 anos, e a Constituição da Ucrânia torna impossível ceder território ou trocar terras”.
A fala surge após Trump sugerir que Zelensky deveria ceder territórios para encerrar a guerra, proposta considerada inaceitável pelo líder ucraniano e aliados europeus. O Instituto para o Estado da Guerra (ISW) aponta que Moscou controla militarmente cerca de 20% do território ucraniano, e nenhum dos lados sinalizou disposição para abrir mão dessas áreas.
O enviado de Trump, Steve Witkoff, afirmou que a Rússia sinalizou possíveis “concessões” territoriais durante reunião no Alasca, citando as regiões de Donetsk, Luhansk, Kherson, Zaporizhzhia e Crimeia. Witkoff também relatou que Putin ofereceu garantias de segurança à Ucrânia, semelhantes ao artigo de defesa mútua da Otan, caso um acordo seja firmado.
No entanto, Zelensky demonstrou ceticismo quanto a garantias russas, enfatizando que “garantias de segurança significam um exército forte, e apenas a Ucrânia pode fornecer isso”. Ele ressaltou a importância de esclarecimentos dos EUA sobre o tema.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou à NBC que “tanto Rússia quanto a Ucrânia terão que fazer concessões para a paz” e defendeu a reunião entre Trump e Putin, apesar de não ter resultado em cessar-fogo imediato.
Encontro na Casa Branca e articulação europeia
Líderes europeus anunciaram que acompanharão Zelensky na reunião com Trump na Casa Branca. Entre os confirmados estão Emmanuel Macron (França), Keir Starmer (Reino Unido), Friedrich Merz (Alemanha), Ursula von der Leyen (União Europeia), Mark Rutte (Otan), Giorgia Meloni (Itália) e Alexander Stubb (Finlândia).
Von der Leyen afirmou: “Vamos apoiar a Ucrânia por uma paz justa e duradoura pelo tempo que for necessário”. Starmer destacou que “a paz na Ucrânia não pode ser decidida sem Zelensky”.
O objetivo do encontro é discutir os próximos passos para o fim da guerra, que já dura três anos e meio. Os europeus buscam garantir a soberania e integridade territorial ucranianas, enquanto Trump tende a pressionar por concessões territoriais.
Antes da reunião, líderes europeus e Zelensky debatem a “coalizão dos dispostos”, iniciativa que prevê envio de tropas pacificadoras à Ucrânia após cessar-fogo. Trump tenta articular uma reunião trilateral com Putin e Zelensky, apoiada pelo ucraniano.
Repercussão e bastidores
Após o encontro entre Trump e Putin no Alasca, que durou três horas e terminou sem acordo, ambos trocaram elogios públicos. Putin destacou a necessidade de considerar as preocupações russas e garantir a segurança da Ucrânia. Trump classificou a reunião como “muito produtiva”, afirmando que houve avanços, mas que ainda restam pontos significativos a serem resolvidos.
O presidente dos EUA também manteve contato com líderes da Otan e Zelensky após o encontro. A presença europeia na Casa Branca busca evitar exclusão nas tratativas, especialmente após a última visita de Zelensky a Washington, marcada por tensão com Trump.