Donald Trump e Vladimir Putin se encontraram nesta sexta-feira (15) no Alasca para discutir possíveis acordos sobre a guerra na Ucrânia.
Após três horas de reunião, Trump falou em “grande progresso”, mas nenhum cessar-fogo foi anunciado. O encontro, o primeiro desde 2018, evidenciou a relação oscilante entre os líderes e suas diferentes abordagens para o conflito.
Troca de declarações e histórico recente
O relacionamento entre Trump e Putin alternou momentos de aproximação e tensão desde que o americano retornou à Casa Branca em janeiro. Ambos trocaram elogios e ameaças, com Trump inicialmente adotando postura pró-Kremlin e, depois, endurecendo o discurso diante da falta de avanços no conflito.
Durante a campanha de 2024, Trump afirmou que a guerra “jamais teria começado” se ele fosse presidente. Putin, por sua vez, apoiou a narrativa de que as eleições americanas de 2020 foram fraudadas, sugerindo que a crise na Ucrânia poderia ter sido evitada.
Declarações marcantes
Em março, Trump celebrou um cessar-fogo parcial no Mar Negro, mas o acordo não prosperou. Putin destacou a importância de considerar questões humanitárias para os militares ucranianos.
Entre maio e agosto, Trump passou a criticar Putin, dizendo em julho que “Putin diz muita besteira” e ameaçando tarifas severas contra a Rússia. Putin minimizou a disputa sobre quem propôs a reunião presencial, ressaltando o interesse mútuo.
Pouco antes do encontro, Putin elogiou os “esforços sinceros” dos EUA para solucionar o conflito, mas condicionou avanços a acordos sobre armas estratégicas. Trump, por sua vez, manteve o tom dúbio, demonstrando esperança, mas reconhecendo que “nada está garantido”.
Territórios ucranianos e negociações futuras
O ponto central das negociações segue sendo o controle das regiões ucranianas ocupadas por tropas russas, que representam cerca de 20% do território do país, segundo o Instituto para o Estado da Guerra (ISW). Nenhum dos lados sinalizou disposição para abrir mão dessas áreas.
No início do ano, os EUA chegaram a sugerir que a Ucrânia teria de abdicar desses territórios para encerrar o conflito, mas recuaram e passaram a negociar diretamente com o Kremlin. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reafirmou recentemente que não aceitará ceder as áreas ocupadas.
Zelensky buscou apoio de líderes europeus e conversou com Trump, que garantiu que nenhum acordo será fechado sem o conhecimento e autorização de Kiev. Trump também sugeriu a possibilidade de um segundo encontro no Alasca com a presença do líder ucraniano.