Volodymyr Zelensky afirmou que os ucranianos lutam por sua terra e independência, rejeitando ceder territórios à Rússia. A declaração foi feita no domingo (17), antes de sua chegada a Washington para reunião com Trump nesta segunda (18). O encontro ocorre após Trump se reunir com Putin no Alasca.
Posições divergentes sobre o fim da guerra
Em postagem na rede X, Zelensky destacou que a Ucrânia não aceitará perder territórios para encerrar a guerra. Ele ressaltou que a paz precisa ser duradoura e criticou acordos anteriores, como a cessão da Crimeia em 2014, que, segundo ele, serviu de trampolim para novos ataques russos. “Claro, a Crimeia não deveria ter sido cedida naquela época, assim como os ucranianos não cederam Kyiv, Odesa ou Kharkiv depois de 2022”, afirmou.
Por outro lado, Trump, em suas redes sociais, sugeriu que Zelensky poderia encerrar a guerra quase imediatamente, se desejasse, ou continuar lutando. Trump reiterou pontos considerados inegociáveis por ele: a permanência da Crimeia sob controle russo e a exclusão da Ucrânia da Otan. “Lembre-se de como tudo começou. Sem a Crimeia de Obama (12 anos atrás, sem um único tiro disparado!), e SEM A ENTRAR NA OTAN PELA UCRÂNIA. Algumas coisas nunca mudam!!!”, escreveu Trump.
No momento, a Casa Branca pressiona Kiev a aceitar concessões territoriais para acabar com o conflito iniciado em fevereiro de 2022, que já dura três anos e meio. O governo ucraniano, porém, mantém sua posição de não abrir mão de territórios nem abandonar o objetivo de integrar a Otan.
Reunião em Washington e negociações internacionais
Nesta segunda-feira (18), Zelensky participa de reunião em Washington com Trump, dois dias após o ex-presidente americano encontrar Vladimir Putin no Alasca e declarar progresso em direção ao fim da guerra. Zelensky estará acompanhado por sete líderes europeus, incluindo Emmanuel Macron (França), Keir Starmer (Reino Unido), Friedrich Merz (Alemanha), Giorgia Meloni (Itália) e Alexander Stubb (Finlândia).
É a segunda vez que Trump e Zelensky se reúnem desde o início da guerra. O primeiro encontro, em fevereiro, terminou abruptamente após Trump adotar tom ríspido e pouco diplomático. Agora, Trump pretende apresentar a proposta discutida com Putin em Anchorage, que, segundo fontes da imprensa americana e europeia, envolve congelar as linhas de frente atuais em troca do reconhecimento internacional da anexação da Crimeia e de áreas ocupadas no Donbas e em Zaporizhzhia.