O futuro das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos está em jogo com o julgamento da Seção 301, após o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump. O USTR abriu investigação contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais, podendo resultar em novas sanções. O Itamaraty prepara resposta robusta, enquanto diplomatas avaliam impasse nas negociações.
Investigação e impactos do tarifaço
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) iniciou uma investigação comercial contra o Brasil, atendendo a pedido do presidente Donald Trump, sob a justificativa de práticas comerciais desleais. A ação se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA investigar e punir práticas estrangeiras consideradas prejudiciais ao comércio americano.
Se a investigação concluir que o Brasil adota práticas desleais, os Estados Unidos poderão impor sanções adicionais às exportações brasileiras. O tarifaço já elevou alíquotas a 50% sobre produtos do Brasil, afetando setores estratégicos. Segundo o embaixador aposentado José Alfredo Graça Lima, as tentativas de negociação não tiveram sucesso: “Parecia que havia uma possibilidade de entendimento, mas isso não aconteceu.” Ele destaca que a exclusão de setores como Embraer das tarifas evidenciou a lógica econômica comercial dos EUA.
Negociações frustradas e judicialização
Com o fracasso das negociações, a disputa segue para a via judicial. Graça Lima ressalta que, após a abertura da investigação, o processo entrou em nova fase, especialmente com as audiências públicas previstas para setembro.
Estratégia brasileira e bastidores diplomáticos
O Itamaraty informou ao g1 que coordena uma manifestação escrita robusta, elaborada por força-tarefa com servidores experientes e órgãos competentes. Hussein Kalout, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), afirma que a resposta do Brasil terá peso técnico. Ele observa que os três principais produtos exportados pelos EUA ao Brasil entram sem taxação, o que rebate os argumentos americanos.
Nos bastidores, diplomatas relatam que as negociações não avançam e que o governo americano age com “truculência”. Segundo um diplomata, Trump “não quer negociar, quer impor a sua vontade” e utiliza a investigação como instrumento de pressão econômica, penalizando países que não se alinham a ele.
O Ministério das Relações Exteriores declarou em rede social que o Brasil “não vai desistir de negociar” e que o país “é bom em cultivar amizades”. Graça Lima conclui que o processo agora está definido pela investigação da Seção 301, sem espaço para novas negociações.