Donald Trump e Vladimir Putin se reúnem nesta sexta-feira (15) no Alasca, em meio à guerra da Rússia na Ucrânia. O encontro ocorre em solo americano, com ambos os líderes buscando agendas próprias: Putin mira reconhecimento internacional e avanços territoriais, enquanto Trump deseja protagonizar negociações de paz e fortalecer sua imagem global.
A cúpula acontece em Anchorage, local estratégico e simbólico, e é marcada por incertezas quanto a concessões e resultados concretos.
Putin busca reconhecimento internacional e ganhos territoriais
Para Putin, o principal objetivo da cúpula é obter reconhecimento dos Estados Unidos, demonstrando que os esforços do Ocidente para isolá-lo fracassaram. O simples fato de a reunião ocorrer já serve como prova disso, segundo veículos russos. O Alasca foi escolhido por sua proximidade com a Rússia e por afastar as negociações da influência direta de Kiev e da União Europeia.
Além do simbolismo histórico — a venda do Alasca aos EUA no século XIX —, Putin deseja consolidar a posse das regiões ucranianas ocupadas (Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson) e busca que Kiev se retire das áreas ainda sob controle ucraniano. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já afirmou que não aceitará ceder territórios. O Kremlin avalia que, com o apoio de Trump, a pressão sobre a Ucrânia pode aumentar, levando a um possível corte de ajuda americana caso Kiev não ceda.
Apesar da postura firme, a economia russa enfrenta dificuldades, com déficit orçamentário crescente e queda nas receitas de exportação de petróleo e gás, o que pode influenciar a disposição de Putin para negociar.
Trump procura protagonismo e reconhecimento como mediador
Trump prometeu durante a campanha de 2024 que resolveria a guerra em poucos dias. Desde seu retorno à Casa Branca em janeiro, alternou críticas a ucranianos e russos, suspendeu ajuda militar à Ucrânia e impôs prazos para sanções à Rússia, mas recuou em várias ocasiões.
O presidente americano agora recebe Putin e menciona a possibilidade de “troca de territórios”, o que preocupa Kiev. Trump tem buscado reduzir expectativas sobre a reunião, chamando-a de “sondagem” e afirmando que pode sair sem acordo. A Casa Branca classificou o encontro como “sessão de escuta”. Líderes europeus e Zelensky tentaram garantir que Trump não aceite um acordo desfavorável à Ucrânia.
Putin, além de buscar reconhecimento e avanços territoriais, pretende usar a cúpula para sinalizar que a Rússia permanece relevante na política global, mesmo sob pressão econômica. O local do encontro, Anchorage, reforça a mensagem de que Moscou pode negociar diretamente com Washington, sem a mediação europeia.
Trump, por sua vez, almeja consolidar sua imagem de “mediador da paz”, objetivo declarado em seu discurso de posse, e não esconde o desejo de ser reconhecido internacionalmente, até mesmo com um Prêmio Nobel da Paz. Sua postura imprevisível gera incertezas sobre o desfecho da cúpula, mas ele tende a aproveitar qualquer oportunidade para reivindicar avanços rumo à paz, mesmo que limitados.
Enquanto isso, a Ucrânia e líderes europeus permanecem atentos, temendo que um eventual acordo entre EUA e Rússia possa resultar em concessões territoriais indesejadas. O resultado das conversas em Anchorage pode redefinir os rumos do conflito e das relações internacionais.