Vladimir Putin exige a cessão de Crimeia, Zaporizhzhia e Donbas para um cessar-fogo na guerra contra a Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeita ceder territórios e defende as fronteiras reconhecidas até 2014. As negociações ocorrem em meio a encontros entre líderes mundiais e reuniões marcadas para esta semana.
Negociações e divergências territoriais
As discussões sobre um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia ganham força após três anos e meio de conflito na Europa Oriental. Nesta quarta-feira (13), o presidente dos EUA, Donald Trump, realizou uma videoconferência com Zelensky e aliados europeus. Dias antes, Trump declarou que Kiev e Moscou teriam de ceder territórios para encerrar a guerra, declaração que aumentou as tensões. Uma reunião presencial entre Trump e Vladimir Putin está marcada para sexta-feira (15), no Alasca.
O principal ponto de impasse é a questão territorial. Zelensky insiste na manutenção das fronteiras da Ucrânia, conforme estabelecidas entre 1991 e 2014, período entre a dissolução da União Soviética e a anexação da Crimeia pela Rússia. Moscou, por sua vez, reivindica não só a Crimeia, mas também Zaporizhzhia e Donbas, áreas que juntas representam cerca de 20% do território ucraniano.
Crimeia: disputa histórica
A Crimeia, sob domínio russo desde o século 18, teve múltiplos status durante a União Soviética. Em 1954, Nikita Khrushchov transferiu a península para a Ucrânia, decisão com valor simbólico na época. Após a independência ucraniana, a Crimeia declarou autonomia, mas foi incorporada à Ucrânia em 1995. Em 2014, tropas russas ocuparam a região e realizaram um referendo de anexação, não reconhecido por Kiev ou pela comunidade internacional.
Zaporizhzhia e Donbas: importância estratégica
Zaporizhzhia
Localizada entre a Crimeia e o Donbas, Zaporizhzhia foi invadida por forças russas em 2022. O principal alvo é a Usina Nuclear de Zaporizhzhia, maior da Europa, atualmente quase desativada sob controle russo, causando frequentes apagões no território ucraniano.
Donbas (Donetsk e Luhansk)
Donetsk e Luhansk formam o Donbas, região rica em carvão e indústria estratégica para a Ucrânia. Desde 2014, grupos separatistas pró-Rússia controlam partes dessas áreas, declarando as repúblicas populares de Donetsk e Luhansk, sem reconhecimento internacional. Em 2022, Moscou reconheceu oficialmente ambas como entidades soberanas, pouco antes da ofensiva militar em larga escala.
Enquanto as negociações continuam, a exigência russa de controle sobre esses territórios permanece o principal obstáculo para um acordo de paz, com Zelensky mantendo firme sua posição de não ceder nenhuma parte do território ucraniano.