Política

Putin e Trump se reúnem no Alasca para negociar cessar-fogo na Ucrânia sob clima de desconfiança

Primeiro encontro entre líderes dos EUA e Rússia desde 2022 ocorre sem a presença de Zelensky e com expectativas baixas para acordo imediato

Donald Trump e Vladimir Putin se encontram nesta sexta-feira (15) em uma base militar no Alasca para discutir um possível cessar-fogo na guerra da Ucrânia. O encontro, marcado por desconfiança e expectativas moderadas, acontece sem a presença do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

Será o primeiro cara a cara entre os dois líderes desde 2018 e a primeira cúpula EUA-Rússia desde o início do conflito em 2022. Ambos sinalizam esperança, mas admitem que nada está garantido.

Clima de tensão e expectativas

O encontro entre Trump e Putin ocorre em meio a um ambiente de incerteza. Trump declarou que “será como uma partida de xadrez”, destacando a complexidade das negociações. Ele afirmou ter apenas 25% de chance de o encontro “terminar mal” e já cogita uma segunda reunião, indicando que não espera uma resolução imediata.

Putin, por sua vez, elogiou os “esforços sinceros” de Washington e afirmou que o encontro pode “selar a paz mundial”, mas condicionou o sucesso a um acordo sobre o uso de armas estratégicas, incluindo nucleares, sugerindo uma barganha em troca do cessar-fogo.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reforçou que “em última instância, caberá à Ucrânia e à Rússia concordar pela paz”. A ausência de Zelensky foi justificada pela Casa Branca como uma sugestão de Putin, o que gerou desconfiança entre aliados europeus.

Questão dos territórios ocupados

O ponto central das negociações será o futuro das regiões ucranianas sob controle russo, que representam cerca de 20% do território do país, segundo o Instituto para o Estado da Guerra (ISW). Nenhum dos lados sinalizou disposição para abrir mão dessas áreas.

Zelensky, excluído da reunião, buscou apoio de líderes europeus e recebeu a garantia de Trump de que nenhum acordo será fechado sem o consentimento de Kiev. Trump também sugeriu que um novo encontro poderá contar com a presença do líder ucraniano.

Formato da reunião e repercussão

A cúpula será realizada em uma base militar no Alasca, local historicamente usado para espionagem contra a ex-União Soviética. Inicialmente, apenas Trump e Putin estarão presentes, acompanhados de seus intérpretes, por cerca de uma hora. Após esse período, ministros e secretários das duas delegações se juntarão às negociações.

Ao final do encontro, está prevista uma entrevista coletiva conjunta para detalhar os resultados e expor quem saiu fortalecido das conversas. A imprensa norte-americana avalia que Trump, agora mais experiente e autoritário, pode adotar uma postura mais firme diante de Putin do que em 2018, quando defendeu publicamente a versão do Kremlin sobre a interferência nas eleições dos EUA.

O desenrolar do encontro é visto como crucial para os rumos da guerra na Ucrânia e para o equilíbrio geopolítico global, mas as perspectivas de um acordo imediato ainda são consideradas baixas por ambos os lados.

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