O presidente Lula afirmou nesta quinta-feira, em Goiana (PE), que o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Sales, não deve se preocupar com o cancelamento do visto dos EUA, pois “o mundo é muito grande”.
A declaração foi feita após o governo americano revogar o visto de Sales e de Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro, devido à participação no programa Mais Médicos entre 2013 e 2018.
Lula também criticou Donald Trump, defendeu a cassação de Eduardo Bolsonaro e anunciou projeto para regular as big techs.
Revogação de vistos e críticas aos EUA
Durante a inauguração de uma fábrica de hemoderivados da Hemobras em Goiana (PE), Lula comentou sobre a decisão do governo americano de cancelar os vistos de Mozart Sales e Alberto Kleiman. A medida foi anunciada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que justificou a decisão pela participação dos dois na implementação do programa Mais Médicos, em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e Cuba, entre 2013 e 2018.
Lula afirmou que Sales não precisa se preocupar, pois “o mundo é muito grande”. O presidente também criticou o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo que ele não é um “imperador”.
Posicionamento sobre Eduardo Bolsonaro
Lula reiterou que o ex-presidente Jair Bolsonaro será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ele também criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA articulando sanções contra o Brasil. “Vocês têm que pedir a cassação dele [Eduardo], porque ele está traindo o país. Essa é a verdadeira traição da pátria”, declarou Lula aos parlamentares presentes.
Tarifaço e relações comerciais
O presidente voltou a criticar o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump para a entrada de produtos brasileiros nos EUA. Lula afirmou que há “vira-latas” que criticam seu tom ao tratar do tema, mas ressaltou que fala da mesma forma com todos os países. “Eu falo igualzinho para Bolívia o que falo para os americanos”, disse.
Lula destacou que deseja negociar com os americanos, mas que não ficará “chorando” caso os EUA não queiram comprar produtos brasileiros. Ele afirmou que buscará novos mercados, como China, Índia, Rússia e Alemanha: “Eu vou procurar outros países para vender os produtos que nós vendemos para eles [os norte-americanos] e vamos seguir em frente”.
Regulação das redes sociais
Lula reafirmou o envio ao Congresso de um projeto de lei para regular as big techs, responsáveis por grandes plataformas digitais. O objetivo, segundo o presidente, é evitar crimes contra a democracia e proteger crianças e adolescentes. “Queremos responsabilizar quem fica utilizando criança para praticar pedofilia. Isso aqui não vai ter. Ele tem que saber que quem manda nesse país é o povo brasileiro”, afirmou.