O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira (16) que não se preocupa com a possibilidade de não ter sua entrada autorizada nos Estados Unidos.
Durante entrevista após lançar o cronograma de integração do Cadastro SUS ao CPF, Padilha comentou sobre convites para reuniões na ONU e OPAS, mas disse que pode não comparecer devido a votações no Congresso.
O ministro ainda ironizou a situação citando a música “Tô nem aí” e criticou quem busca o visto para atuar contra o Brasil no exterior.
Declarações de Padilha sobre o visto
Durante a entrevista, Alexandre Padilha afirmou: “Esse negócio do visto eu tô igual aquela música: ‘Tô nem aí’, sabe? Vocês tão mais preocupados com o visto do que eu, certo? Tô nem aí. Eu acho que só fica preocupado quem quer ir para os Estados Unidos. Eu não quero ir para os Estados Unidos”.
Padilha também aproveitou para alfinetar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), dizendo: “Só fica preocupado com visto quem quer sair do Brasil, ou quem quer ir pra lá pra fazer lobby de traição da pátria, como alguns tão fazendo. Não é o meu interesse, tá certo? Então eu tô nem aí com relação a isso”.
O ministro foi convidado para reuniões de ministros da Saúde na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e para um encontro da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Washington. No entanto, ele afirmou que ainda não sabe se participará dos eventos, pois precisa acompanhar votações no Congresso Nacional.
Contexto dos vistos ligados ao Mais Médicos
No mês passado, os Estados Unidos cancelaram o visto da esposa e da filha de 10 anos de Alexandre Padilha. O visto do próprio ministro não foi cancelado porque já estava vencido.
Padilha esteve à frente do Ministério da Saúde em 2013, quando foi criado o programa Mais Médicos. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA revogou vistos de funcionários do governo brasileiro ligados ao programa, incluindo Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais do ministério e atual coordenador-geral para COP30.
A embaixada americana em Brasília divulgou comunicado, atribuído à Agência para as Relações com o Hemisfério Ocidental, no qual o programa Mais Médicos é descrito como “um golpe diplomático que explorou médicos cubanos, enriqueceu o regime cubano corrupto e foi acobertado por autoridades brasileiras e ex-funcionários da Opas”.