Alexandre Padilha declarou nesta quinta-feira (22) que recebeu convite para a Assembleia Geral da ONU e que o Itamaraty pediu acesso dele aos Estados Unidos. Segundo o deputado, o país anfitrião não pode impedir a entrada de autoridade convidada.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou o pedido formal para Padilha participar da assembleia. A solicitação ocorre após o governo Trump cancelar vistos de familiares e servidores ligados ao programa Mais Médicos.
Contexto do pedido de acesso
O deputado federal Alexandre Padilha explicou que sua participação na Assembleia Geral da ONU tem como objetivo representar o Brasil em discussões relevantes. Ele ressaltou que, por ser uma autoridade convidada pelo governo brasileiro, os Estados Unidos, como país anfitrião, não poderiam impedir sua entrada.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou que fez o pedido formal para garantir o acesso de Padilha aos EUA, tanto para a Assembleia da ONU quanto para uma conferência da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O ministro da Saúde afirmou que ainda não sabe se comparecerá aos dois eventos, pois sua participação dependerá da agenda interna no Brasil.
Padilha destacou: “O Itamaraty já solicitou o acesso ao evento da ONU e da Opas. Qualquer país que sedia um organismo internacional como esse não pode impedir o acesso de nenhuma autoridade que é convidada”.
Cancelamento de vistos
A solicitação do Itamaraty ocorreu após o governo Trump cancelar os vistos da esposa e da filha do ministro. O visto de Padilha não foi cancelado, pois estava vencido desde o ano anterior. O comunicado do governo americano à família informou que os vistos foram revogados porque surgiram informações indicando que ambas “não eram mais elegíveis”.
Repercussão e possíveis desdobramentos
Apesar do pedido formalizado, a presença de Padilha nos eventos internacionais será definida apenas próximo das datas. O ministro afirmou que a agenda interna, como a implementação do programa Agora Tem Especialistas e votações no Congresso Nacional, pode demandar sua permanência no Brasil.
Padilha declarou que “essas atitudes covardes que foram cometidas não abalam em nada, em absolutamente nada, a nossa firmeza”. Antes do episódio com sua família, o Departamento de Estado dos EUA já havia revogado vistos de outros funcionários do governo brasileiro ligados ao Mais Médicos, como Mozart Julio Tabosa Sales e Alberto Kleiman.
Em comunicado, a embaixada americana em Brasília, por meio da Agência para as Relações com o Hemisfério Ocidental, classificou o Mais Médicos como “um golpe diplomático que explorou médicos cubanos, enriqueceu o regime cubano corrupto e foi acobertado por autoridades brasileiras e ex-funcionários da Opas”.
Padilha defendeu o programa, afirmando que ele “sobreviverá a ataques injustificáveis de quem quer que seja” e que “é aprovado por quem mais importa: a população brasileira”.