O ministro da Saúde, Ricardo Barros Padilha, questionou a decisão dos Estados Unidos de cancelar o visto de sua filha de 10 anos. O comunicado foi enviado pelo consulado em São Paulo na manhã desta semana. O visto de Padilha não foi afetado, pois está vencido desde 2024.
A medida faz parte de sanções do governo Trump contra brasileiros ligados ao Mais Médicos, incluindo outros servidores do Ministério da Saúde.
Cancelamentos de vistos atingem familiares e servidores
A família de Padilha recebeu a notificação do consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo informando o cancelamento dos vistos. Segundo os comunicados, obtidos pelo blog, a justificativa foi que, após a emissão, surgiram informações indicando que a esposa e a filha do ministro não eram mais elegíveis para o visto.
De acordo com os documentos, o cancelamento impede a entrada nos EUA, mas se a pessoa já estiver no país, pode permanecer até o fim da validade do visto. O visto é automaticamente cancelado ao deixar o território americano.
Além da família de Padilha, o Departamento de Estado dos EUA também revogou, nesta semana, vistos de funcionários do governo brasileiro ligados ao programa Mais Médicos. Entre os atingidos estão Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais do ministério e atual coordenador-geral para COP30.
Repercussão e justificativas do governo norte-americano
A decisão foi acompanhada de uma postagem da embaixada americana em Brasília, atribuída à Agência para as Relações com o Hemisfério Ocidental. No comunicado, o Mais Médicos é classificado como “um golpe diplomático que explorou médicos cubanos, enriqueceu o regime cubano corrupto e foi acobertado por autoridades brasileiras e ex-funcionários da Opas”.
Em resposta, Padilha defendeu o programa, afirmando que o Mais Médicos “sobreviverá a ataques injustificáveis de quem quer que seja”. Ele destacou ainda que “o programa salva-vidas e é aprovado por quem mais importa: a população brasileira”.