O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, criticou nesta sexta-feira (15) a decisão dos Estados Unidos de cancelar os vistos da esposa e filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Amorim classificou o ato como “agressão” e “profunda hostilidade” ao Brasil.
Segundo Amorim, a medida é inaceitável e atinge uma política humanitária, referindo-se ao programa Mais Médicos, alvo das recentes sanções americanas. O cancelamento dos vistos foi revelado pelo blog de Julia Dualibi.
Reação do governo brasileiro
Celso Amorim, ex-ministro da Defesa e conselheiro do presidente, afirmou em entrevista à GloboNews que punir um ministro brasileiro já seria um gesto inamistoso, mas estender a sanção à família demonstra um “profundo grau de hostilidade”. “Cancelar o visto de um ministro de outro país é algo inaceitável”, declarou Amorim, que também defendeu o Mais Médicos como uma iniciativa humanitária.
Amorim ressaltou que a decisão é “ainda mais absurda” por atingir uma política voltada a melhorar a saúde da população. “Você pode concordar ou não com o Mais Médicos, mas era uma iniciativa humanitária e nacional”, disse. Para ele, não há lógica na medida: “É uma sucessão de absurdos”.
Impacto sobre a família de Padilha
De acordo com o blog de Julia Dualibi, os vistos da esposa e da filha de 10 anos de Alexandre Padilha foram cancelados. Ambas estão no Brasil, e o ministro, cujo visto já estava vencido, não foi afetado diretamente. A família foi informada pelo Consulado-Geral dos EUA em São Paulo.
Declarações de Padilha e novas sanções
O ministro Alexandre Padilha criticou a decisão dos EUA, lembrando que sua filha sequer havia nascido quando o Mais Médicos foi criado. “As pessoas que fazem isso e o clã Bolsonaro, que orquestra isso, precisam explicar […] qual risco uma criança de 10 anos representa para o governo americano. Estou absolutamente indignado com essa atitude covarde”, afirmou Padilha à GloboNews.
Outras autoridades afetadas
Além de Padilha, o governo americano também revogou os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário do Ministério da Saúde, e de Alberto Kleiman, ex-assessor de relações internacionais da pasta e coordenador-geral da COP30. Antes deles, sete ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, já haviam sido atingidos por medidas semelhantes.