A embaixada dos Estados Unidos no Brasil afirmou que o programa Mais Médicos foi um “golpe diplomático” e prometeu responsabilizar todos os envolvidos. A declaração ocorre após sanções impostas a brasileiros ligados ao programa, criado nos governos Dilma Rousseff e retomado por Luiz Inácio Lula da Silva.
O programa, que leva médicos a áreas carentes, contou com profissionais cubanos através da OPAS. O governo americano alega que o acordo enriqueceu o regime cubano e foi acobertado por autoridades brasileiras.
Sanções e acusações dos EUA
Na quarta-feira (13), o governo dos Estados Unidos anunciou sanções a dois brasileiros envolvidos na implementação do Mais Médicos. No dia seguinte, a embaixada americana em Brasília reiterou, por meio de uma rede social, que “todos” os responsáveis pelo programa serão responsabilizados. O texto, atribuído à Agência para as Relações com o Hemisfério Ocidental, afirmou que o programa explorou médicos cubanos, enriqueceu o regime cubano e foi acobertado por autoridades brasileiras e ex-funcionários da Opas.
Segundo o comunicado, os EUA continuarão responsabilizando indivíduos ligados ao que chamam de “esquema coercitivo de exportação de mão de obra”. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que o programa utilizou a Opas como intermediária junto à ditadura cubana, burlando sanções dos EUA e repassando valores ao regime cubano.
Reações do governo brasileiro
Após o anúncio das sanções, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu o Mais Médicos, afirmando que o programa salva vidas e tem aprovação da população brasileira. Padilha classificou os ataques como injustificáveis.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também saiu em defesa do programa, ressaltando a importância da relação de respeito entre Brasil e Cuba. Lula comentou sobre o bloqueio imposto a Cuba há 70 anos e dirigiu-se a Mozart Sales, secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, que teve o visto dos EUA cancelado, dizendo que há muitos lugares para conhecer no Brasil.
O Mais Médicos foi criado para levar profissionais de saúde a municípios do interior e periferias de grandes cidades, especialmente onde há carência de médicos. A parceria com a Opas permitiu a atuação de médicos cubanos no país.