Economia

Analistas avaliam que tarifaço dos EUA pode reduzir inflação brasileira em 2025

Especialistas apontam impacto baixista no curto prazo, mas incertezas e possíveis pressões inflacionárias para 2026

Analistas do mercado financeiro avaliam que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tende a conter a atividade econômica e gerar impacto baixista na inflação em 2025.

No entanto, para 2026, o cenário é incerto e pode haver pressões inflacionárias, dependendo das decisões dos produtores e do mercado internacional.

Especialistas como Gustavo Cruz e André Perfeito destacam que o efeito imediato é de queda nos preços, mas alertam para possíveis mudanças no médio prazo.

Cenário para 2025

O consenso entre analistas, como Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, é de que os preços de itens afetados pelo tarifaço, como frutas, peixes e ovos, devem cair no mercado doméstico. “A questão de frutas e peixes, esses sim vão tentar colocar o máximo no mercado doméstico e a gente já vê relatos de preços menores. Isso realmente a gente deve sentir. Ovos também devem ficar um pouco mais baratos”, afirma Cruz. Outros produtos, como carnes e café, podem ter queda menor, pois buscam novos mercados externos.

Para o economista André Perfeito, o IPCA de julho, abaixo das expectativas, reforça um quadro inflacionário benigno, impulsionado pela oferta de alimentos derivada do tarifaço. “O comportamento de alimentos in natura segue jogando o índice para baixo e deve continuar assim uma vez que ainda não está computado a sobre oferta de alimentos derivada do tarifaço de Trump”, diz Perfeito.

Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, projeta impacto pequeno na inflação de 2025, com efeito de alguns centésimos de ponto percentual. “Produtos como carne, café, frutas e peixes vão sim ter um impacto, mas um impacto bem pequeno. Frutas como manga e uva, a gente já vê que estão mais baratas. Com relação aos peixes, a tilápia deve sim sofrer uma queda no preço”, avalia Boragini.

Perspectivas para 2026 e política monetária

O cenário para 2026 é incerto. Analistas alertam para a possibilidade de aumento das pressões inflacionárias caso produtores reduzam a produção devido a prejuízos em 2025. “Às vezes o produtor, ele não tá com tanto espaço assim, o prejuízo desse ano seja suficiente para que ele no ano que vem ainda assim segure tanto o pé no freio, que aconteça o contrário, os preços subam mais do que o imaginado porque se plantou menos, porque se cultivou, se criou menos peixes”, explica Gustavo Cruz.

Juliana Machado Goncalves Daitx, da Unicred Porto Alegre, ressalta que o alívio inflacionário tende a ser pontual e dificilmente alterará as projeções de inflação de 2026 em diante. “Os produtores tenderão a tomar novas decisões futuras sob as novas condições de mercado, como baixar a produção, procurar outros países para exportar”, pondera Daitx.

Controle da inflação e juros

O Banco Central utiliza a Selic para controlar a inflação, atuando com base em metas e projeções. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, maior patamar em quase 20 anos, devido à inflação acima do teto das metas. O BC projeta um IPCA de 3,4% até março de 2027.

André Perfeito acredita que o tarifaço pode acelerar o corte dos juros, com a Selic podendo fechar o ano em 14,50%. Para Boragini, a antecipação do corte depende de a inflação ficar abaixo da meta, cenário visto como pouco provável.

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