O dólar abriu em alta nesta terça-feira (19), refletindo o impacto das negociações entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky, além de dados econômicos dos Estados Unidos e Brasil.
O Ibovespa iniciou o pregão às 10h, enquanto investidores analisam também a resposta do governo brasileiro à investigação comercial dos EUA e projeções do boletim Focus.
Movimentações diplomáticas e impacto no mercado
Na véspera, Donald Trump recebeu o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Washington, acompanhado de sete líderes europeus. Após o encontro, Trump afirmou acreditar em um possível acordo para o fim da guerra entre Ucrânia e Rússia ainda nesta segunda-feira (18), ressaltando o desejo de uma reunião trilateral com os líderes russos e ucranianos. “Tivemos um dia de muito sucesso até o momento”, declarou Trump, sem detalhar avanços. O encontro ocorreu dois dias após Trump se reunir com Vladimir Putin no Alasca, quando também mencionou progresso nas negociações. O mercado viu a reunião como um teste para medir até onde Trump pressionaria Zelensky e se a Ucrânia aceitaria negociar pontos sensíveis. Para Trump, a oportunidade é de transformar promessa de campanha em vitória diplomática, enquanto Zelensky corre o risco de perder apoio caso resista a concessões.
Além disso, o governo Trump aumentou para US$ 50 milhões a recompensa por informações sobre o líder venezuelano e lançou uma operação antidrogas no Caribe, intensificando a pressão regional.
Indicadores econômicos e projeções
No cenário doméstico, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou redução da estimativa de inflação para 2025, de 5,05% para 4,95%, ainda acima do teto da meta de 4,5%. Analistas atribuem parte desse movimento ao tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros, que tende a conter a atividade e pressionar a inflação para baixo. A projeção para o PIB de 2025 manteve-se em 2,21%, enquanto a taxa básica de juros prevista permanece em 15% ao ano. A taxa de câmbio projetada para o fim de 2025 segue em R$ 5,60, com superávit comercial estimado em US$ 65 bilhões e entrada de investimentos estrangeiros diretos em US$ 70 bilhões.
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado prévia do PIB, cresceu 0,3% no segundo trimestre, sinalizando desaceleração frente à alta de 1,5% no trimestre anterior.
Desempenho dos mercados internacionais
As bolsas europeias tiveram pouca variação antes das reuniões diplomáticas em Washington. O índice PSI20 de Lisboa avançou 1,28%, fechando em 7.880,25 pontos, enquanto o Financial Times de Londres subiu 0,21%, a 9.157,74 pontos. Entre as perdas, Paris liderou com queda de 0,50% no CAC-40, seguida por Frankfurt (DAX -0,18%) e Madri (Ibex-35 -0,17%).
Na Ásia, as ações da China atingiram o maior nível desde 2015, impulsionadas pelo alívio nas tensões comerciais e liquidez elevada. O índice de Xangai subiu 0,85%, marcando o melhor fechamento desde agosto de 2015, enquanto o CSI300 avançou 0,88% e o Hang Seng de Hong Kong caiu 0,37%.
Reação do Brasil à investigação dos EUA
O governo brasileiro prepara resposta à investigação comercial aberta em julho pelos Estados Unidos, com documento elaborado por diplomatas do Itamaraty. A defesa abordará temas como combate ao desmatamento e argumentará que o PIX não prejudica empresas americanas.
Resumo dos indicadores locais
O dólar acumula alta de 0,68% na semana, queda de 2,96% no mês e baixa de 12,05% no ano. O Ibovespa registra alta de 0,72% na semana, 3,19% no mês e 14,17% no ano.