Economia

Preço do café registra primeira queda na inflação oficial desde dezembro de 2023

Recuo de 1,01 no valor do café em julho desacelera inflação após 18 meses de alta segundo IBGE

O preço do café apresentou queda de 1,01% em julho, segundo o IBGE, marcando a primeira redução na inflação oficial desde dezembro de 2023.

O recuo interrompe uma sequência de 18 meses de aumentos, influenciando diretamente o bolso dos consumidores brasileiros.

A redução foi registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), divulgado nesta segunda-feira (12).

Fatores que explicam a queda

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a diminuição do preço do café em julho está ligada à melhora na oferta do produto e à estabilização dos preços internacionais. Esses fatores contribuíram para desacelerar a inflação no país, já que o café é um item essencial no consumo diário dos brasileiros.

O último recuo havia ocorrido em dezembro de 2023, com baixa de 0,23%. Após esse período, o café acumulou aumentos por 18 meses consecutivos. Mesmo com a queda recente, o preço do café moído segue elevado, apresentando inflação acumulada de 70,51% em um ano, conforme o IPCA.

A tendência de redução já havia sido antecipada tanto pelo IPCA-15, prévia da inflação, quanto pelo IPC, indicador da Fipe, ambos divulgados em julho.

Influência da safra e previsões

Economistas consultados pelo g1 já previam, em junho, que os preços do café nos supermercados começariam a cair no segundo semestre. A queda nas cotações no campo, após o início da colheita em março, reforçou essa expectativa. Os meses de junho e julho concentram a maior parte da colheita no Brasil.

Impacto de tarifas e perspectivas futuras

Especialistas ouvidos pelo g1 analisaram o possível efeito do tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump, em vigor desde 6 de agosto, sobre o preço do café brasileiro. Segundo eles, a tendência é que o impacto imediato seja limitado, já que as vendas aos EUA não devem ser paralisadas e a oferta interna não deve aumentar significativamente.

Além disso, a colheita do grão ocorre apenas uma vez por ano, o que retarda qualquer efeito sobre os preços ao consumidor. Fernando Gonçalves, diretor do IPCA, afirmou à agência Reuters que ainda não é possível associar a queda de preços ao tarifaço: “Pode ser um efeito do aumento da oferta, e não é possível afirmar ou confirmar que esteja relacionado ao aumento da tarifa. O aumento da tarifa só começou neste mês”.