Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (11) que conversará com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na quarta-feira, antes de se reunir com Vladimir Putin na sexta (15), no Alasca. O objetivo é pressionar pelo fim da guerra na Ucrânia, que já dura três anos e meio.
Trump também planeja dialogar com líderes europeus para coordenar uma posição conjunta, enquanto a inclusão da Ucrânia nas negociações é defendida por autoridades europeias e rejeitada por Moscou.
Preparativos para a cúpula no Alasca
O encontro entre Trump e Putin está agendado para sexta-feira (15), no Alasca, marcando a primeira reunião presencial entre presidentes dos Estados Unidos e da Rússia desde junho de 2021. Trump declarou que irá pressionar Putin pelo fim do conflito e buscará negociar a devolução de territórios à Ucrânia, embora tenha sugerido que “deve haver uma troca de territórios”.
Na semana anterior, Zelensky rejeitou qualquer concessão de regiões ucranianas à Rússia. Trump afirmou: “Vou falar com Vladimir Putin e vou dizer a ele: você precisa acabar com esta guerra. Você precisa acabar com ela”.
Pressão e reação europeia
Líderes europeus exigem a participação da Ucrânia nas negociações. No sábado (9), destacaram que “o caminho para a paz na Ucrânia não pode ser decidido sem a Ucrânia”. Ministros das Relações Exteriores da UE debaterão o tema em videoconferência nesta segunda-feira (11), junto ao chanceler ucraniano.
O embaixador dos EUA na Otan, Matthew Whitaker, afirmou que Zelensky poderá participar da cúpula. A exclusão da Ucrânia gerou preocupações de que um acordo possa forçar Kiev a ceder territórios, hipótese rejeitada pela UE. Zelensky declarou: “Quaisquer decisões contra nós, quaisquer decisões sem a Ucrânia também são decisões contra a paz. Os ucranianos não vão entregar sua terra ao ocupante”.
Líderes europeus, como Emmanuel Macron, Giorgia Meloni, Friedrich Merz, Donald Tusk, Keir Starmer e Ursula von der Leyen, assinaram declaração apoiando diplomacia ativa, apoio militar e financeiro à Ucrânia, além de sanções à Rússia. Kaja Kallas, primeira-ministra da Estônia, reforçou que “todos os territórios ocupados temporariamente pertencem à Ucrânia”.
Condições para a paz e impasses
A guerra, iniciada em fevereiro de 2022, já causou dezenas de milhares de mortes e milhões de deslocados. Moscou exige que a Ucrânia ceda Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia, Kherson e a Crimeia, além de renunciar ao recebimento de armas ocidentais e à adesão à Otan. Kiev considera essas condições inaceitáveis e exige a retirada das tropas russas e garantias de segurança, incluindo mais armamentos e possível envio de contingente europeu, medidas rejeitadas pela Rússia.
As três rodadas de negociações entre Rússia e Ucrânia em 2024 não avançaram. Ainda não está claro se a cúpula no Alasca conseguirá aproximar as partes de um acordo. Trump e Putin não se reúnem presencialmente desde 2019, mas mantiveram contato telefônico desde janeiro. A cúpula ocorre em um contexto de pressão internacional por uma solução diplomática e de resistência russa a um cessar-fogo.