O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (13) que só a Ucrânia tem legitimidade para negociar seus territórios com a Rússia. A afirmação foi feita em ligação com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e líderes europeus, antes do encontro entre Trump e Vladimir Putin no Alasca.
Trump ressaltou que qualquer decisão sobre o território ucraniano cabe exclusivamente ao governo de Kiev, enquanto aliados europeus reforçaram a necessidade de garantias de segurança e respeito à soberania da Ucrânia.
Reunião entre Trump, Zelensky e líderes europeus
Na manhã desta quarta-feira, Donald Trump participou de uma ligação telefônica com Volodymyr Zelensky, o presidente da Ucrânia, e líderes europeus como Emmanuel Macron (França), Friedrich Merz (Alemanha) e Giorgia Meloni (Itália), além de chanceleres da União Europeia. O encontro ocorreu dois dias antes da cúpula entre Trump e Vladimir Putin, marcada para o Alasca.
Durante a conversa, Trump enfatizou que questões territoriais só podem ser negociadas pela própria Ucrânia. Macron afirmou que Trump busca um cessar-fogo no conflito, enquanto líderes como Merz, Mark Rutte (Otan), Ursula von der Leyen (União Europeia) e Keir Starmer (Reino Unido) destacaram a importância da participação ucraniana nas negociações.
Merz relatou que os aliados concordaram em não reconhecer anexações russas, garantir a segurança da Ucrânia e respeitar sua soberania. Starmer reforçou: “Nosso apoio à Ucrânia é inegociável. Fronteiras não podem ser mudadas à força”.
Possível troca de territórios e cúpula no Alasca
Trump mencionou a possibilidade de “alguma troca de territórios para o bem de ambos” Rússia e Ucrânia, mas sem detalhar. A Casa Branca explicou que a reunião bilateral no Alasca foi proposta por Putin e aceita por Trump para buscar um melhor entendimento sobre o fim da guerra. Segundo a secretária de imprensa Karoline Leavitt, Trump está aberto a um encontro trilateral com Putin e Zelensky futuramente.
A invasão russa à Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, já causou dezenas de milhares de mortes e milhões de deslocados. Putin resiste aos apelos por cessar-fogo. Esta será a primeira reunião entre presidentes dos EUA e Rússia desde 2021, quando Joe Biden se encontrou com Putin em Genebra.
Condições para a paz e posições irreconciliáveis
Moscou exige que a Ucrânia ceda as regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia, Kherson e a Crimeia, além de renunciar ao recebimento de armas ocidentais e à adesão à Otan. Kiev rejeita essas condições, exigindo retirada russa e garantias de segurança do Ocidente. Zelensky afirmou que não aceitará discussões sobre territórios antes de um cessar-fogo e que “conversas sobre nós sem nós não funcionarão”.
A Rússia, por sua vez, descarta concessões e insiste no controle das regiões ocupadas. O impasse permanece, com ambos os lados mantendo posições firmes sobre o futuro territorial da Ucrânia.