Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou que está aberto a receber Volodymyr Zelensky para negociações de paz com Vladimir Putin no Alasca. O encontro, previsto para 15 de agosto de 2025, foi divulgado por Trump em sua rede social nesta sexta-feira (8).
A Casa Branca afirmou que o objetivo é promover um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia, enquanto autoridades russas e ucranianas reagem às propostas e exigências em jogo.
Negociações e propostas em pauta
O anúncio do encontro foi feito por Donald Trump na Truth Social, destacando que a reunião com Vladimir Putin acontecerá no Alasca. Segundo o Wall Street Journal, o principal tema será a proposta de Putin, que sugere que a Ucrânia ceda o leste do país, especialmente a região de Donbass, em troca do fim da guerra. A oferta foi apresentada durante uma reunião entre Putin e Steve Witkoff, enviado especial dos EUA, em Moscou, no dia 6.
Líderes europeus e ucranianos expressaram reservas quanto à proposta, temendo que a Rússia use a negociação para evitar sanções e tarifas, sem garantir o fim efetivo dos combates. Atualmente, tropas russas ocupam grande parte de Donetsk e Luhansk, além de áreas em Zaporizhia e Kherson, próximas à Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.
Reação da Ucrânia
Em resposta, Zelensky afirmou que a Rússia ignora o ultimato de Trump para um acordo, relatando ataques intensificados nas últimas horas do prazo de 10 dias estabelecido pelos EUA. “Vemos que os russos não estão levando isso em consideração – pelo menos por enquanto”, declarou Zelensky no Telegram. Ele relatou ataques com drones, bombardeios e ofensivas na linha de frente, reforçando que não houve ordem russa para cessar fogo.
Zelensky também destacou conversas com o primeiro-ministro da República Tcheca e outros líderes, buscando uma posição comum pela paz e apoio aos esforços dos EUA. “Uma paz digna, confiável e duradoura só pode ser o resultado de um esforço conjunto”, afirmou.
Escalada de tensões e bastidores diplomáticos
O encontro entre Putin e Witkoff, ocorrido no Kremlin e com duração de três horas, contou com a presença de assessores russos como Ushakov e Dmitriev. Apesar do clima cordial no início, as relações entre EUA e Rússia seguem tensas, especialmente após Trump enviar submarinos nucleares em resposta a ameaças do ex-presidente russo Dmitri Medvedev envolvendo o sistema “Mão Morta”.
Além disso, a decisão de Trump de impor tarifas à Índia por comprar petróleo russo gerou descontentamento em Moscou. No início de seu segundo mandato, Trump prometeu acabar com a guerra na Ucrânia rapidamente, mas enfrenta frustrações diante das exigências de Putin, que incluem a cessão de quatro regiões ucranianas e da Crimeia, além da renúncia de Kiev ao fornecimento de armas ocidentais e à adesão à Otan. O governo ucraniano considera as condições inaceitáveis.
Putin reafirmou seu desejo de paz, mas mantém suas exigências, dificultando avanços concretos nas negociações.