Meio ambiente

Roupas que usamos contribuem para poluição ambiental e emissões globais

Moda descartável e produção em excesso agravam crise ambiental e afetam países em desenvolvimento

A indústria da moda é responsável por até 8% das emissões globais e toneladas de roupas são descartadas anualmente. O uso de poliéster, a lógica da fast fashion e o excesso de produção estão entre os principais fatores que ampliam o impacto ambiental do setor.

Países como Chile e Gana recebem grandes volumes de roupas rejeitadas, agravando a crise ambiental global. Reparar, reutilizar e cobrar mudanças da indústria são alternativas para mitigar esses efeitos.

O impacto ambiental da indústria da moda

A maioria das pessoas associa poluição a plásticos, fumaça de carros e chaminés de fábricas, mas existe outro tipo de poluição que pode estar no armário: as roupas. A indústria da moda está entre as mais poluentes do mundo, agravando a crise ambiental com o descarte inadequado de peças.

Todos os anos, bilhões de peças são produzidas, muitas delas feitas com poliéster, um plástico derivado do petróleo. Esse material é altamente poluente em sua produção e pode levar mais de 400 anos para se decompor. Mesmo o algodão, considerado mais natural, pode demorar até duas décadas para desaparecer do meio ambiente.

A lógica do consumo acelerado e da fast fashion estimula a compra constante de roupas baratas, que rapidamente perdem valor e são descartadas. Muitas peças acabam sobrando em estoques e são descartadas, como ocorre no deserto do Atacama, no Chile, onde 39 mil toneladas de roupas são despejadas ilegalmente por ano, incluindo itens novos enviados por marcas conhecidas do Norte Global.

Esse descarte têxtil também ocorre em países como Gana, que recebe semanalmente milhões de peças da Europa e da Ásia. Apenas parte desse material é reaproveitado; o restante vai para lixões abertos, contaminando solo e rios.

Alternativas e futuro sustentável

O problema do impacto ambiental da moda é estrutural, mas também envolve escolhas individuais. Um simples zíper quebrado não precisa ser motivo para descartar uma peça inteira. Especialistas sugerem resgatar a cultura do reparo e do reaproveitamento, priorizando roupas de qualidade e questionando a real necessidade de novas compras.

Ao prolongar a vida útil das roupas, retardar o descarte e exigir ações mais sustentáveis da indústria, os consumidores podem ajudar a diminuir o impacto ambiental do setor. Atualmente, a indústria da moda responde por até 8% das emissões globais de gases do efeito estufa e consome bilhões de litros de água todos os anos.

Com a proximidade da COP30, cresce a pressão para que o setor adote práticas mais responsáveis e para que consumidores repensem seus hábitos, contribuindo para um futuro mais sustentável.

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