Meio ambiente

Plástico colorido no ar aquece o planeta mais do que a ciência imaginava

Partículas pigmentadas absorvem 75 vezes mais luz solar que as transparentes, e os modelos climáticos nunca levaram isso em conta
Microplásticos atmosféricos coloridos em macro escala, visualizando o aquecimento global causado pela absorção de luz solar

Um estudo publicado nesta segunda-feira (4) na revista Nature Climate Change trouxe uma descoberta incômoda para a ciência do clima: os microplásticos que circulam na atmosfera aquecem o planeta em uma escala até agora ignorada pelos modelos climáticos globais.

A pesquisa, liderada pelo cientista Hongbo Fu, da Universidade Fudan, na China, estima que o efeito de aquecimento dessas partículas equivale a 16,2% do produzido pela fuligem — um dos poluentes climáticos mais agressivos conhecidos.

O motivo da subestimativa é direto: os modelos tratam os plásticos como se fossem incolores. Na prática, quase todo plástico tem pigmento — e partículas coloridas absorvem até 75 vezes mais luz solar do que as transparentes.

Por que a cor do plástico importa para o clima

Quando partículas suspensas no ar absorvem luz solar, elas aquecem a atmosfera ao redor — fenômeno chamado de forçamento radiativo. É o mesmo mecanismo que torna a fuligem da queima de combustíveis fósseis e de queimadas um fator relevante de aquecimento global.

No caso dos microplásticos, a cor é o fator decisivo. Plásticos pretos absorvem mais luz, seguidos pelos amarelos, azuis e vermelhos. Os brancos têm efeito quase nulo — mas tendem a amarelar com o envelhecimento e passam a absorver mais radiação com o tempo. Curiosamente, o efeito inverso ocorre nos plásticos vermelhos, que perdem pigmento e absorvem menos. Os dois processos se cancelam, e a capacidade de aquecimento do conjunto permanece estável ao longo da vida das partículas na atmosfera.

Os pesquisadores usaram microscopia eletrônica de alta resolução para medir como diferentes tipos de plástico interagem com a luz, considerando tamanho, cor, tipo de polímero e estágio de envelhecimento. Os dados foram combinados com simulações de transporte atmosférico para estimar o impacto global.

O resultado médio aferido foi um forçamento radiativo de 0,039 watt por metro quadrado — pequeno frente aos gases de efeito estufa, mas expressivo ao ser comparado a outros poluentes já incorporados nos modelos que orientam políticas climáticas de governos e organismos internacionais.

Nanoplásticos amplificam o problema

O tamanho das partículas também pesa. As nanopartículas — menores que um micrômetro — absorvem e dispersam mais luz proporcionalmente à sua massa do que os fragmentos maiores. Além disso, permanecem mais tempo suspensos no ar e alcançam altitudes mais elevadas, o que amplia o alcance geográfico e temporal do efeito.

Micro e nanoplásticos são fragmentos de até um milímetro formados quando objetos maiores se decompõem pela ação do sol e do desgaste mecânico. Já foram detectados dos fundos oceânicos ao topo do Everest, passando pelos núcleos de gelo polar — com registros de deposição contínua desde a década de 1960.

Mancha de Lixo do Pacífico concentra aquecimento mais intenso

A distribuição geográfica do efeito é profundamente desigual — e revela muito sobre como o mundo produz e descarta plástico. Sobre o Grande Giro Subtropical do Pacífico Norte, região conhecida como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, o aquecimento provocado pelos plásticos chega a ser 4,7 vezes maior que o da fuligem na mesma área, onde correntes oceânicas concentram resíduos plásticos em escala continental.

Mediterrâneo, leste da América do Norte e leste da Ásia também figuram como pontos de aquecimento mais intenso, associados às emissões antrópicas mais elevadas dessas regiões.

O Hemisfério Norte concentra 4,6 vezes mais o impacto do que o Hemisfério Sul — diferença que reflete diretamente a desigualdade global na produção e no descarte de plástico. O Sul Global, que menos gera o problema, sofre proporcionalmente menos seus efeitos climáticos atmosféricos, mas continua exposto à poluição em outras dimensões.

Os modelos ainda apontam variação sazonal: os picos de aquecimento ocorrem entre abril e julho, quando ciclones e tufões redistribuem partículas por toda a atmosfera. A onipresença dos microplásticos, agora associada a um efeito climático mensurável, reforça a pressão para que sejam incorporados nos modelos que definem metas e políticas de adaptação climática em escala global.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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