A Copa do Mundo de 2026 pode encerrar o torneio com uma marca que nenhum organizador quer exibir: a edição mais poluente da história, com estimativa de 7,8 milhões de toneladas de CO₂ emitidas ao longo da competição.
O principal fator é a expansão para 48 seleções — o que dobrou o custo climático em relação à Copa do Catar em 2022 —, com jogos distribuídos por 16 cidades em três países e uma enxurrada de voos intercontinentais.
E enquanto a Fifa não responde se sua meta de zerar emissões até 2040 ainda é viável, o próprio presidente da entidade usa jatinho particular para assistir a dois jogos por dia.
Mais seleções, mais emissões
A expansão para 48 seleções — que estreou na abertura do torneio em 11 de junho no Azteca — é precisamente o que transformou esta Copa na mais poluente da história: mais times, mais jogos e mais voos intercontinentais do que qualquer edição anterior. Com três países-sede (Estados Unidos, México e Canadá), delegações e torcedores são obrigados a cobrir distâncias imensas de avião.
Diferente de edições passadas, desta vez não foram construídos novos estádios — uma fonte significativa de emissões em Mundiais anteriores. Mesmo assim, o impacto ambiental total dobrou. O dado revela que o formato com 48 equipes, por si só, cancela qualquer economia obtida com a reutilização das arenas.
Questionada pela DW sobre a meta de emissões zero até 2040 — assumida em 2021 —, a Fifa optou pelo silêncio. A entidade apenas declarou que “gerenciar as emissões ligadas a voos continua sendo um dos desafios de sustentabilidade mais complexos para os organizadores de eventos” e afirmou que promoveria transporte público, veículos híbridos e plantio de árvores em larga escala.
Para críticos, as medidas são insuficientes diante da magnitude do problema. O uso de jatinho pelo presidente da Fifa para cobrir dois jogos diários é apontado como símbolo do abismo entre o discurso institucional e a prática.
A pegada que não aparece no placar
Há uma dimensão raramente discutida nas críticas à Copa 2026: a pegada de carbono digital. A transmissão dos jogos para o mundo inteiro, o consumo nos dispositivos dos espectadores e o tráfego gerado pelas plataformas de apostas online criam um consumo energético global que cresce a cada edição.
A ironia é que a mesma crise climática que esta Copa ajuda a aprofundar já ameaça os próprios torcedores: cientistas alertaram que 14 das 16 cidades-sede devem atingir temperaturas perigosas durante o torneio — o mesmo cenário que motivou críticas à proibição de garrafas d’água nos estádios.
O impasse expõe uma contradição estrutural do futebol global: a indústria cresce, atrai mais países, mais transmissores, mais apostadores — e com isso, mais emissões. Sem reformas no formato ou investimento sério em compensação de carbono, a Copa de 2030 pode superar até os números desta edição.
