O silêncio da comunidade internacional frente aos ataques e sanções do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil, preocupa especialistas em relações internacionais. O pesquisador Christopher Sabatini alerta que essa omissão pode fortalecer a percepção da América Latina como “quintal dos EUA”, ameaçando a soberania regional.
Segundo Sabatini, as ações de Trump, como tarifas e sanções ao STF, e a ausência de reações de países e organismos multilaterais, evidenciam riscos para a democracia brasileira e para a estabilidade política no continente.
Contexto das ações de Trump e impactos no Brasil
Donald Trump vem realizando ataques públicos ao Brasil, questionando políticas internas e externas do país e impondo sanções econômicas e tarifas, especialmente após decisões judiciais envolvendo Jair Bolsonaro. A medida mais recente foi a imposição de tarifas de 40% e sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, após sua decisão de decretar prisão domiciliar para Bolsonaro em 4/8.
Segundo Christopher Sabatini, da Chatham House, a reação exagerada de Trump, ao punir todo o país por questões partidárias, pode prejudicar não só Bolsonaro e seu filho Eduardo, mas também a economia brasileira e o próprio movimento bolsonarista. Sabatini acredita que isso pode beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abrir espaço para novas lideranças, como Tarcísio de Freitas.
O pesquisador destaca que a ausência de resposta internacional, inclusive da União Europeia, ONU e OEA, é alarmante. Para Sabatini, a situação reforça a antiga ideia da América Latina como área de influência exclusiva dos EUA, o que ameaça a integridade democrática da região.
Consequências para a democracia e relações bilaterais
Sabatini ressalta que a imposição de sanções por motivos judiciais é sem precedentes e fere princípios de soberania nacional. Ele compara a situação com episódios históricos nos EUA, como a atuação ativista da Suprema Corte, e critica o uso de tarifas como retaliação política. O silêncio internacional, segundo ele, favorece a hegemonia dos EUA e enfraquece a cooperação global.
Possíveis desdobramentos e repercussão internacional
A crise entre Brasil e EUA é considerada por Sabatini a pior em mais de 200 anos de relações bilaterais. O julgamento de Bolsonaro no STF e as eleições presidenciais de 2026 podem agravar ainda mais o cenário, com possibilidade de novas sanções e deterioração da colaboração entre os países em fóruns internacionais.
Sabatini aponta que a solução mais provável para a crise seria uma intervenção do Congresso americano, retirando poderes do presidente para impor sanções sem aprovação legislativa. Ele destaca que qualquer concessão entre Lula e Trump seria vista como derrota política e ameaça à independência do Judiciário brasileiro.
Reação dos atores internacionais e efeitos internos
A omissão de países europeus, Reino Unido e instituições multilaterais é vista como chocante, especialmente diante da gravidade da situação. Sabatini ressalta que muitos governos evitam se posicionar por temer retaliações de Trump e priorizam seus próprios interesses. Isso, segundo ele, abre espaço para autocratas corroerem normas democráticas globais.
Internamente, o impacto das sanções pode enfraquecer Bolsonaro e fortalecer Lula, além de estimular o surgimento de novas lideranças no campo conservador. Sabatini acredita que o bolsonarismo, apesar de resiliente, pode perder força diante das consequências econômicas e políticas das ações americanas.