Uma pesquisa Datafolha divulgada em 1º de agosto aponta que 47% dos brasileiros aprovam a revogação do visto americano do ministro Alexandre de Moraes e de outros membros do STF pelo governo de Donald Trump.
Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados condenam a decisão. O estudo também mostra que 55% apoiam as restrições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, determinadas por Moraes.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 29 e 30 de julho, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
Detalhes da pesquisa Datafolha
O levantamento do Datafolha revelou que, diante da revogação do visto americano de Alexandre de Moraes e outros ministros do STF, 33% dos brasileiros concordam totalmente com a medida, enquanto 14% concordam em parte. Já 13% discordam em parte, 29% discordam totalmente, 1% não concordam nem discordam e 10% não souberam responder.
A revogação do visto ocorreu em 18 de julho, por decisão do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Como consequência, todos os eventuais bens de Moraes nos Estados Unidos foram bloqueados, assim como qualquer empresa ligada a ele. Além disso, cidadãos americanos estão proibidos de realizar negócios com o ministro.
O estudo também apontou que 55% dos entrevistados aprovam as restrições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas para impedir que ele deixasse o país. Essas decisões, tomadas por Moraes, motivaram as sanções do governo Trump.
Reação de Alexandre de Moraes
Durante a cerimônia de abertura do semestre do Judiciário, Alexandre de Moraes afirmou que o Supremo Tribunal Federal não irá se “envergar a ameaças covardes e infrutíferas” e que pretende ignorar as sanções aplicadas pelos Estados Unidos.
“As ações prosseguirão. O rito processual do STF não se adiantará, não se atrasará. O rito processual do STF irá ignorar as sanções praticadas. Esse relator vai ignorar as sanções que lhe foram aplicadas e continuar trabalhando, como vem fazendo, no plenário, na Primeira Turma, sempre de forma colegiada”, declarou Moraes.
Ele destacou ainda que a Corte continuará realizando sua missão constitucional, especialmente no segundo semestre, com julgamentos das ações penais relacionadas à tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro. Esta foi sua primeira manifestação pública após ser incluído na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, norma do governo norte-americano para punir estrangeiros.
“Acham que estão lidando com pessoas da laia deles. Acham que estão falando também com milicianos. Mas não estão, estão falando com ministros da Suprema Corte brasileira”, afirmou Moraes.