O presidente Luiz Inácio Lula da Silva repudiou nesta terça-feira, 26, a suspensão do visto do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, pelos Estados Unidos.
Lula classificou a medida como um gesto irresponsável e afirmou que o governo brasileiro não recebeu confirmação oficial do governo norte-americano.
O pronunciamento ocorreu durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, marcando a primeira manifestação oficial sobre o caso.
Declarações de Lula e reação do governo
Durante a reunião ministerial, Lula expressou solidariedade a Ricardo Lewandowski, criticando a decisão dos Estados Unidos de suspender o visto do ministro. Segundo o presidente, “Minha solidariedade e solidariedade do governo a você por conta do gesto irresponsável dos EUA de cassarem o teu visto”. Lula acrescentou que os EUA estão deixando de receber uma personalidade de grande competência e que a situação é vergonhosa para o governo americano, não para Lewandowski.
A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça informou que Lewandowski não recebeu confirmação oficial do governo dos EUA sobre o cancelamento do visto. Até o momento, não havia pronunciamento oficial do governo brasileiro sobre o caso.
Lula ainda questionou: “O que que você fez para que os caras tivessem tanto ódio do Brasil que chagassem a suspender o visto do nosso ministro da Justiça? Essas atitudes são inaceitáveis, não só contra o Lewandowski, mas contra os ministros da Suprema Corte, contra qualquer personalidade brasileira.”
Histórico de cancelamentos e justificativas dos EUA
No mês anterior, os Estados Unidos já haviam suspendido os vistos de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e de outros sete ministros do tribunal. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também teve a permissão de entrada nos EUA revogada.
Mais recentemente, funcionários do governo brasileiro ligados ao programa Mais Médicos, além da mulher e da filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também tiveram seus vistos cancelados.
Autoridades americanas justificam os cancelamentos de vistos e sanções alegando responsabilização de estrangeiros considerados autores de censura. No caso do Mais Médicos, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o programa como “um golpe diplomático inconcebível” e afirmou que os afetados seriam “cúmplices do esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano”.
O governo americano já adotou outras medidas contra o Brasil, como a imposição de tarifas a produtos brasileiros, a revogação de vistos de ministros do STF e a aplicação da Lei Magnistsky contra Alexandre de Moraes.