Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam que a pressão dos Estados Unidos sobre o tribunal e o governo Lula deve aumentar nos próximos dias. A movimentação ocorre em meio à reta final da ação penal do golpe e à ofensiva do governo Trump contra integrantes do governo brasileiro.
Apesar da escalada, ministros garantem que o ritmo dos trabalhos do STF não será alterado. A tensão cresceu após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciar novas sanções e restrições de visto a funcionários brasileiros.
Pressão internacional e ação penal do golpe
Segundo ministros do STF, a pressão dos EUA, liderada pelo presidente Donald Trump, tende a se intensificar à medida que a ação penal do golpe avança para sua fase final. Com a entrega das alegações finais dos réus, o relator Alexandre de Moraes prepara seu voto e deverá solicitar a inclusão do processo na pauta de julgamento da Primeira Turma.
Um magistrado do Supremo afirmou: “Ainda vai piorar muito”, indicando que o ambiente de tensão deve se agravar. Um assessor reforçou: “Não vamos mudar uma linha do previsto só porque o Trump quer salvar o Jair Bolsonaro”.
Sanções e retaliações do governo Trump
A certeza de aumento da pressão veio após o secretário de Estado, Marco Rubio, dar continuidade à campanha contra o Brasil, atendendo pedidos do deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente. Rubio anunciou a revogação de vistos de membros do governo Lula ligados ao programa Mais Médicos, acusando-os de explorar trabalho forçado de médicos cubanos. O secretário já havia cassado o visto de oito ministros do STF.
Em publicação no X, Rubio declarou que o Departamento de Estado tomará medidas para revogar vistos e impor restrições a funcionários brasileiros e ex-funcionários da OPAS, acusando-os de cumplicidade em trabalho forçado sob o regime cubano. “O Mais Médicos foi um golpe diplomático inconcebível de ‘missões médicas’ estrangeiras”, afirmou.
Repercussão política e novas ações no Congresso
Aliados do presidente Lula reagiram às medidas do governo Trump, avaliando que a ofensiva não deve cessar. Um deles afirmou: “Eles não vão parar, por isso o Congresso tem de punir Eduardo Bolsonaro”.
No mesmo dia, o líder do PT, Lindbergh Farias, protocolou novo pedido de cassação do mandato de Eduardo Bolsonaro, o terceiro, alegando que o deputado estaria abandonando sua função parlamentar ao permanecer nos Estados Unidos após o término de sua licença.
O episódio evidencia o aumento da tensão entre o Brasil e os EUA e reforça o clima de instabilidade política envolvendo o STF, o governo federal e aliados do ex-presidente Bolsonaro.