Economia

Produtores do Vale do São Francisco enfrentam crise com tarifas dos EUA e excesso de mangas

Exportadores e pequenos agricultores sofrem com queda de preços e falta de compradores após restrições americanas

Produtores do Vale do São Francisco enfrentam dificuldades para escoar a produção de manga devido às tarifas impostas pelos EUA. A região, que abrange Pernambuco e Bahia, já sente o impacto econômico da medida, com preços em queda e frutas sem compradores.

Enquanto grandes exportadoras buscam alternativas, pequenos agricultores relatam prejuízo e até doação de mangas para evitar desperdício. O setor teme que a situação se agrave caso não haja solução rápida.

Impacto das tarifas e excesso de oferta

O Vale do São Francisco, reconhecido como principal polo produtor e exportador de manga do Brasil, está sendo diretamente afetado pela guerra comercial com os Estados Unidos. Pequenos produtores, que abastecem tanto o mercado interno quanto o externo, já veem suas frutas encalharem e o preço despencar a níveis que não cobrem os custos de produção.

Segundo Eduardo Nakahara, produtor e representante da Frutecer, empresa exportadora com foco no mercado europeu, “se a manga não tem saída, as grandes empresas vão vender só aquilo que elas já têm, não compram do pequeno e médio”. O problema se agrava porque empresas que antes exportavam para os EUA agora buscam a Europa, ampliando a concorrência e afetando todos os elos da cadeia.

A produtora rural Aleska Martins, de Petrolina, relata que chegou a vender manga keitt a R$ 6 o quilo, mas agora luta para vender a R$ 0,80. Ela afirma: “Estou dando de graça para quem quiser pegar, para limpar minha planta. E mesmo assim não estou conseguindo”. Empresas alegam que o custo de retirada não compensa diante dos preços baixos.

O agrônomo Gilson dos Santos destaca que nem o Brasil nem a Europa conseguem absorver o excedente, já que outros países, como a Espanha, também têm boa safra este ano. Isso gera especulação e desespero entre produtores, que tentam vender as frutas a qualquer preço.

Reações e perspectivas

O presidente do sindicato dos produtores, Jailson Lira, critica a postura do governo federal, que, segundo ele, estaria “medindo forças com os EUA” ao invés de negociar uma solução para o setor. Ele afirma que até o momento não foi apresentado um plano para os produtores afetados.

Produtores buscam alternativas, como doar mangas para empresas de polpas ou mercados, mas enfrentam dificuldades até para isso. Adailton de Lima, produtor em Lagoa Grande, relata que o mercado está saturado e as mangas amadurecem no pé por falta de compradores.

A BBC News Brasil procurou os governos da Bahia, Pernambuco e o governo federal, mas não obteve resposta até o momento.

Enquanto isso, há quem defenda uma campanha nacional para incentivar o consumo da manga no Brasil, transformando a crise em oportunidade para valorizar a fruta no mercado interno.