Produtores brasileiros de uva, arroz, ovos e açúcar já começam a redirecionar suas exportações para escapar da nova sobretaxa dos Estados Unidos, que entra em vigor nesta terça-feira (22) sobre produtos brasileiros fora da lista de exceções.
No Vale do São Francisco, maior polo de fruticultura irrigada do país, o produtor Rodrigo Pamponet reduziu o peso do mercado americano e passou a concentrar 70% das vendas na União Europeia e 28% na Argentina.
Segundo a CNA, a tarifa de 25% coloca sob pressão US$ 4,6 bilhões em exportações do agronegócio brasileiro, atingindo 36,5% do total vendido aos EUA pelo setor.
Tarifa pode chegar a 37,5% com nova investigação
Além da sobretaxa já confirmada, o setor acompanha uma possível cobrança adicional de 12,5%, resultado de outra investigação comercial em andamento nos EUA. Se confirmada, a tarifa total sobre os produtos brasileiros afetados pode somar 37,5%.
No Vale do São Francisco, o redirecionamento já aparece nos números: as vendas de uva à Argentina saltaram de 3,6 mil toneladas em 2024 para mais de 8 mil toneladas em 2025, enquanto os embarques aos EUA caíram de 13,8 mil para 4,1 mil toneladas no mesmo período.
Para Jailson Lira, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina, a abertura de novos mercados amenizou o impacto, mas não eliminou a preocupação do setor, que ainda vive um momento de “muita tensão”. A cadeia da uva emprega cerca de 70 mil pessoas na região, quase metade mulheres.
Governo federal prepara plano de apoio a exportadores
Para os setores atingidos, o governo federal retomou medidas de socorro, ainda sem detalhamento, que devem incluir linhas de crédito para capital de giro e apoio à busca por novos destinos comerciais. O programa de apoio aos exportadores prejudicados, citado pelo governo mas ainda sem detalhes, havia sido anunciado dias antes pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que classificou a tarifa como ‘injusta e descabida’.
A ApexBrasil também prepara um plano de contingência para agosto, com R$ 130 milhões destinados a diversificar mercados na Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, além do Oriente Médio. O governo ainda aposta no acordo entre Mercosul e União Europeia para reduzir a dependência do mercado americano.
Outros setores tentam minimizar o impacto. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que a tarifa sobre ovos e carne suína tem efeito limitado, já que os embarques aos EUA já eram reduzidos, e comemorou a manutenção da tilápia fora da lista de produtos sobretaxados. Semanas antes da confirmação da sobretaxa, representantes do agronegócio e da indústria brasileira já haviam ido a Washington tentar reverter a medida em audiências públicas do USTR.
