Fazendeiros dos Estados Unidos vivem uma crise profunda após tarifas comerciais elevarem custos e dificultarem exportações. Muitos agricultores, especialmente em estados rurais como Arkansas e Dakota do Norte, pedem auxílio emergencial ao governo para evitar calamidades financeiras.
As tarifas impostas recentemente, principalmente contra a China, resultaram em queda de preços das safras e suspensão de compras por parte do país asiático, agravando a situação dos produtores americanos.
Impacto das tarifas no agronegócio americano
As tarifas comerciais implementadas pelo governo de Donald Trump aumentaram significativamente os custos de produção para os agricultores americanos e dificultaram a exportação de produtos agrícolas. Isso afetou diretamente a renda dos produtores, especialmente os de soja, que viram a China suspender as compras do grão em meio à disputa comercial.
Em estados como Arkansas e Dakota do Norte, a crise se intensificou com a queda nos preços das safras e a redução do mercado externo. Parlamentares locais, inclusive republicanos aliados de Trump, pressionam o governo federal por medidas emergenciais para o setor.
Pedidos de auxílio governamental
Diante das dificuldades, fazendeiros solicitam subsídios e redução de tarifas para mitigar prejuízos e garantir a continuidade das atividades. O deputado republicano Rick Crawford destacou a necessidade de um sinal positivo do governo para evitar calamidades financeiras na América rural.
O governo americano, por meio da secretária da Agricultura Brooke Rollins, informou que poderá utilizar a receita das tarifas para financiar programas de ajuda, com medidas a serem anunciadas em breve.
Endividamento e consequências para o mercado global
No início de setembro, cerca de 500 agricultores do Arkansas reuniram-se com parlamentares republicanos para alertar sobre a dificuldade em pagar empréstimos bancários para compra de sementes. “A agricultura é feita como uma roleta russa. Você precisa pagar o empréstimo para voltar a cultivar no próximo ano”, afirmou o fazendeiro Scott Brown à Reuters.
A crise no setor pode gerar efeitos em cadeia no mercado internacional, alterando preços e fluxos de commodities agrícolas. A Associação Americana de Soja enviou carta a Trump alertando que o setor está à beira de um precipício comercial e financeiro. “Os produtores de soja dos EUA não podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com nosso maior cliente”, afirmou Caleb Ragland, presidente da associação.
Produtores como Josh e Jordan Gackle, da Dakota do Norte, relataram ao New York Times perdas de US$ 400 mil neste ano em sua fazenda de 930 hectares, devido à suspensão das compras chinesas. Antes das tarifas, mais de 70% da soja da Dakota do Norte era exportada para a China. “Tudo isso é desnecessário. Os EUA não foram forçados a entrar nessa situação por ninguém”, disse Jordan Gackle.
Enquanto isso, a China aumentou as compras de soja brasileira para suprir sua demanda interna, agravando ainda mais a situação dos americanos.