Especialistas afirmam que a tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre o café brasileiro pode inviabilizar o comércio entre Brasil e EUA. Os Estados Unidos, maiores consumidores mundiais, dependem do grão brasileiro para suprir sua demanda. O aumento da taxa traria dificuldades para importadores e consumidores americanos, segundo consultorias do setor.
O Brasil representa 40% da oferta mundial de café e é responsável por 34% das importações americanas. A medida forçaria os EUA a buscar fornecedores alternativos, encarecendo o produto e afetando exportadores brasileiros.
Impacto nos Estados Unidos
Os Estados Unidos produzem apenas 1% do café consumido internamente, o que os torna altamente dependentes das importações. Caso a tarifa de 50% seja implementada, o país enfrentará dificuldades para suprir sua demanda, já que o Brasil responde por 40% da oferta mundial do grão, segundo Fernando Maximiliano, analista da StoneX Brasil.
De acordo com a Cogo Consultoria, a nova taxa tornaria o fluxo de café entre Brasil e EUA “praticamente inviável”. A indústria americana teria que buscar novos fornecedores, que possuem produção bem menor, resultando em preços mais altos.
Maximiliano destaca: “O Brasil é o principal fornecedor, responsável por 34% do café que os americanos importam. São 8 milhões de sacas. Imagine só como eles fariam para redirecionar a aquisição desse café de outros países”.
O exemplo mais evidente é a diferença de produção de café arábica: o Brasil produz cerca de 40 milhões de sacas/ano, enquanto a Colômbia, segunda maior produtora, produz entre 12 e 13 milhões. A Colômbia não teria capacidade para substituir o Brasil.
Com a falta do café brasileiro, o preço no mercado americano tende a subir ainda mais. Dados do governo dos EUA mostram que o preço do café subiu 32,4% entre junho de 2024 e maio de 2025.
Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, afirma: “Eles [norte-americanos] estão extremamente preocupados”. Importadores americanos buscam diálogo com o governo Trump, trabalho já iniciado pela Associação Nacional de Café dos EUA (NCA).
Em abril, William Murray, presidente da NCA, afirmou que o setor dialogava com a Casa Branca para isenção de tarifas. Atualmente, a taxa sobre o Brasil é de 10%.
Alternativas e reação dos exportadores brasileiros
Para os exportadores brasileiros, o cenário é igualmente preocupante. “É a grande tensão do momento”, resume Marcos Matos, do Cecafé. Perder o maior importador exigiria buscar alternativas em outros mercados.
A associação brasileira já comunicou ao Ministério da Agricultura sobre possíveis países substitutos, caso a tarifa seja aprovada. China, Índia, Indonésia e Austrália, já importadores do café brasileiro, são considerados principais alternativas.
Entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e o próprio Cecafé defendem a diplomacia como melhor caminho. “A Abic defende uma atuação estratégica, firme e diplomática por parte do Brasil, com foco na preservação dos interesses do setor cafeeiro nacional e da nação”, declarou a associação em nota.
Marcos Matos destaca que o Cecafé atua junto à NCA para buscar diálogo com o governo Trump. “Existe um trabalho sendo feito, e nós temos a esperança de que o bom senso prevaleça, a previsibilidade de mercado, porque nós sabemos que quem vai ser onerado é o consumidor norte-americano”, conclui Matos.